e construi este sítio
de partes desconstruídas
roídas,
o ego alcança-se esticando o braço e cortando os dedos. assim ficaremos com o ego na palma da mão sem que os dedos a esmaguem até sair todo o sangue que levou a crescer.
o engraçado desta viagem é que atribuimos ao corpo, um valor dissociado, como um peça de puzzle nunca feita para encaixar no puzzle do mundo. seja esta viagem consciente ou não, uns tentam mentir e fazer da sua peçita uma mentira que se encaixe em qualquer sítio ao abandono, normalmente roto e podre como a sociedade contemporânea. outros, recusam-se a acreditar no seu lugar porque sabem, ou pensam que sabem que não fazem parte do mundo. outros, acham que o mundo não é feito de peças, mas porquê um puzzle e porquê um mundo? e porquê acreditar em algo? o flagelo desta condição é a sua solidão, e a realidade da sua premissa e a excessiva, ou não, racionalidade deste paradigma esvai-se no paradoxo do sorriso. de que servirá o sorriso nesta viagem sem sentido? ou com um sentido não fixado, um sentido caótico, aleatório, entregue às não leis do universo. mas será este paradoxo uma manobra de diversão? ou uma constituinte aleatória de todo o conjunto de não leis que regem este universo?
a pergunta sem resposta “se fomos criados por algo, alguém, quem criou o criador?”, é respondida por alguém que o criador não está dentro das leis do tempo. mas aí é fácil refutar, e porque estará o agora do mundo regido pelas leis do tempo? Aliás não está a criação a acontecer neste mesmo momento no limite da expansão do universo? e alguém que cria, cria num momento ou estará sempre a criar? e para quê? a vida faz algum sentido sem tempo? tudo o que acontece está a acontecer e já aconteceu, previsível…
o enigma está sempre no futuro, só que não existe, pois só existe presente…
então o futuro e o passado são paradoxos. mas também não há criação sem passado, ora, não fomos criados porque já existíamos…
a resposta a tudo isto é demasiado simples, mas não a conseguimos considerar ou sequer acreditar ou ver, porque simplesmente, não existimos… assim tudo faz sentido no não sentido…