bancos alimentares alimentam fomes
Posted on July 3rd, 2009 by pedrovskiPosted in não catalogado | No Comments »
não encontrei sítio para dormir porque tenho demasiada fome.
não encontrei sítio para dormir porque tenho demasiada fome.
decidi desistir
ao som dum vento invejoso!
deus dê-me asas porque anseio os restos do meu voo. deus que morra já hoje para mim, porque hoje quero sonhar por mim, só para mim!
todos os dias, um anjo chora por mim,
o inferno derrete chamas.
ele vive dentro da boca
e racha esta lingua com verborreia
direi algo bonito,
verde em lástima, repugnante lhaneza
e quando deixar teu semblante
nasce um fim sem pranto
nada volta atrás por ti
meu anjo de asas sem vento,
beijo-te cem lábios sem amor…
e este meu desejo de inferno
prende labaredas ao sonho,
os teus lábios são mais vazios
e cheios de pecado,
estou a descer para ti,
e vou deixar-me contigo…
o meu anjo sonha sem céu
e adorava viver sua vida,
mas um toque nos seios
vale uma viagem num céu azul…
adorava viver esta outra vida…
se um mundo de terror estende-se no caminho. e as rebeliões renascem nas urbes de gente farta, desligada, vazia, inconformada com as televisões. se os comprimidos não acalmam as depressões, se as máquinas não esmagam todos os homens, se as eleições não escondem mais a ditadura do capital!
digo, estará tudo na rua a destruir, estará tudo na rua a berrar!!!
a loucura será o acto mais são de quem vive nesta prisão. e chama-se vandalismo, mas já nada importa, já nada faz sentido, já nada há para viver senão uma caixa de ilusões e um sofá. para quem a vida só nasceu de ilusões e para quem viveu e acordou para a realidade deste estado de injustiça, apenas vencerá o rumo da destruição de tudo o que nos oprime e contra tudo o que nos faz viver na ilusão das várias drogas do capital, seja cigarro, televisões, trabalho ou eleições!!
eu digo, em nada condeno, se todos forem para as ruas partir tudo! aliás apenas demonstra que afinal há vida neste estrume de organização social.

foto: atenas - the guardian
e tal é a forma do adeus,
desenhado com círculos no ar com as mãos,
descrito nas mágoas das palavras.
os gestos impercéptiveis, o pesar a mastigar,
o esmagado por aquelas palavras.
se tivesse esperança em ti,
tinha tocado outra música…
e então olhei para o céu e esperei-te no horizonte,
e encostei a orelha às paredes,
e o universo conspira por mim para deixar
o teu leito podre…
e o tempo passa
e eu só controlo a minha mente
e só eu, sou meu,
e os sentimentos que deixo para trás
os significados, as mentiras,
tão seguros hoje.
a amargura torna-se rotina
porque só sei da minha mente.
o amor em mágoa
torna-se homem morto
viajando, passeando o cadáver…
os anjos são da terra,
os anjos sofrem o cheiro da terra,
todo o resto do meu andar
escondido das costas, das saliências
de tudo o que vejo,
torna-se homem morto.
e o mar ofusca a dor,
os cabelos das ondas nos dedos,
o infinito deitado sob o céu,
a imensidão da alma
o coração que levanta o peito
inspira o sal!
a esperança no horizonte
vive do sol,
a memória das tuas palavras
ao som do mar da noite
cresce em mim dia após dia,
esqueci-me de não esquecer
o quanto és mar
e o mar é infinito
minhocas na terra abrem buracos,
minhocas no cérebro atacam a virgindade,
a bandeira mantém o presente a arder,
quero ter fome de barriga cheia!!
o afecto nasce na desistência!
não posso desistir da noite quando o dia traz-me saciedade!
então agora mato-me para ter um pouco de ti,
donde nasce esta irascível vontade de querer?
de todas as maneiras tudo parece morrer!
não há céu para agarrar não há inferno para sofrer!!
uma esperança, um motivo, um desejo!!!
cala-me esta lua, mata-me esta viagem! mostra-me o céu…
tudo o que fazia, tudo o que queria,
estive longe da terra
fez luz no céu
ajudo-me a afundar, afundar
o azul é imenso
tento tar perto, perto das nuvens!

o coração pede sempre primeiro pelo prazer, as metáforas concretas passam a realidades espirituais. e porque não pode um coração pensar, e porque não pode o céu ser azul por mim? porque não pode a paixão afrontar o vivido e porque é que a maravilha do vivido nas suas incertezas conspiram por vezes contra meu desejo? esta aceitação da caos do universo, que nos traz alegrias e afunda-nos na roda dos acontecimentos colide com este desejo de ser o centro… porque não é tudo feito para mim?
gostava de acreditar porque há algo que me mantém refém da esperança, algo que falta neste meu caminho… embora possa perfeitamente aceitar que, o que é realmente belo são os factos da vida, de toda a vida neste universo, não os pseudo-mundos antropocêntricos, egocêntricos dentro de universo tão vasto que se escondem dentro da pseudo-espiritualidade capicua e desonesta.
a espiritualidade como é frequentemente acreditada, ao ser verdade tornaria este mundo tão previsível e indesejável, que faria reinar a depressão da rotina, de tudo sabermos e tudo ter ordem previsível.
a verdadeira esperança é aquela que nasce de toda a incerteza do amanhã, esta assombrosa realidade, dificilmente aceite e que este universo nos prende com as maiores garras!
e procuro esta alma, tentado e magoado
dentro da minha cabeça,
formam-se mudanças, porque sei quando perdi,
soltam-se libertinagens
escolho as rédeas da solidão
e pergunto-me…
será que sabes quanto perdeste?
sabes o que querias?
fingir amor é pegar fogo à casa…
se não é tudo passou a nada para mim. perdão, já procuro outra viagem…

abri esta garrafa vazia,
de punho cerrado… compreendo o meu ódio para com determinadas gentes. na verdade não me drogo como eles, decido algo mais elaborado e verdadeiro. a universidade aqui no porto, e com certeza em muito sítios, inala-se fotocopiadora xerox. detesto sentir este surto de superioridade para com o vazio da massa estudantil. mas é na sua suposta superioridade que lanço a minha vaidade que me faz comichão.
como será possível tanta minhoca de cérebro e como é possível tanta gente sem sentido de vida? juntam-se e berram a sua escuridão. é que esta gente chega mesmo ao cúmulo da obediência, onde até de joelhos em frente a um trambolho de gente se põem.
mulheres que respondem ao rito antigo de ajoelhar-se perante a ordem, não tenho pena, hoje poderiam ter a escolha e escolhem a submissão.
e repara como marcham e preenchem os espaços deixados por uma suposta liberdade? repara como falam desprovidos de sentido real, e repara como brincam oprimidos?
assassinos, replicadores de bosta de pessoas até quando as máscaras? e com medo da dor todo o teu sentido de liberdade esvaiu-se, porque nada volta a ser como dantes depois de vergares ao poder…
dá-me outro ano deste inferno na cidade e agarro-me à tua cabeça e arranco-a com os dentes depois sentirás o quente das verdadeiras chamas da queima!! porque dum dia para o outro espero, a praxe acaba de vez!
lanço e lanço a adivinhar futuros, decisões a tomar, regras a seguir. às tantas é só um beijo, um beijo verdadeiro que anseio. ou desejo estar sempre neste jogo sem fim de querer e não querer, de dar e não dar, de desilusão e esperança, de anseio e desejo sem fim.
mas é óbvio que sinto algo além mar, e prevejo sempre todos os futuros possíveis e impossíveis só porque quero tocar de outra forma.
neste enleio não leio a tua mente, esta começão sem locomoção viaja na tortura, angústia da usura de querer tudo para perder tudo.
e se soubesses o quanto significam pequenas demonstrações apoucadas e imaculadas… há algo autêntico neste jogo virgem, há sentimentos que brotam, estórias que se fantasiam, conexões que se criam, laços que não desvanecem, multidões de sentidos que não se conhecem.
e estou perdido neste tempo, a desejar outro tempo e a desejar que desejasse todos os desejos que desejo porque perdemos tudo dum momento para outro e perdemos este momento, perdemos o lance, perdemos a luta… estás aí?

enquanto chamas renascem no horizonte, num mundo de milagres e incertezas o pulsar deste coração mudou de estação. porque atravessar chamas é tarefa simples para quem gosta do calor, hoje, decidi-me virar para outro horizonte, onde possa estar orgânico e complacente.
quero beijar um céu sem nuvens, rejeito a chuva tão essencial a esta terra que vivo, mas a falta de calor no corpo nasce desta vontade de verão. nasço o meu pensamento sempre com uma estação à frente daquela no presente.
para sempre vou sonhar flores sem fumo ou poluição.
compreendes que tudo poderia ser tão fácil? que o mundo não precisa de chamas no horizonte e que aqui dentro temos já o nosso lume? e enquanto decides viro a cabeça no sentido que romantizo e sonho…
