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a VIVA ignorância

Posted on January 24th, 2005 by pedrovski
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lembro-me vagamente da minha ignorância, não daquela ignorância que nos pregam com tvs, salas de aula, músicas do top e comícios partidários. Eu falo daquela ignorância social o não saber o que é supostamente bem e mal, cego em relação aos padrões, à vida em civilização, à vida cheia de normas… lembro-me das caras de felicidade das crianças, meus e minhas colegas, quando pegávamos a papa com as mãos, quando dávamos cambalhotas, rebolávamos pelo chão, gritávamos do fundo dos pulmões, tudo sem pensar no ridículo, onde todos os jogos eram possíveis… podíamos mijar em frente a uma igreja, dar um beijo a um colega do mesmo sexo, fazer caretas aos adultos e rir-se e rir-se e rir-se dos um homem que discursavam com tantas certezas, imparáveis, intocáveis mas para os olhos mais sensíveis e ainda não curto-circuitados a insinceridade, o teatro e para quem ousa sentir, a MORTE!

com o tempo as ordens atingem tod@s, o azar de vivermos num mundo tão às direitas… está tudo tão normalizado, até o nosso andar, temos medo de soltar os braços, nem o nosso caminhar é feito sem o medo do julgamento, da repreensão e muitas vezes da prisão.

Agora vivo a minha vida a procurar o sentir… sei que nada será como dantes… já não consigo rir do político porque sei que ele mantém milhares à fome, nem dos reclames de tv com mulheres semi-despidas porque hoje sei que são também responsáveis pelo culto de objectificação da mulher, os desenhos animados disney não passam de nazis disfarçados de bonecos e muitas das musicas que tanto gozo davam dançar servem apenas para encher os bolsos de dinheiro da indústria da música…

sei que não voltará a ser igual, mas sei que é naquela felicidade e sinceridade que busco a inspiração e o futuro!


Novamente Gerês



Tempo de Surgir

Posted on January 14th, 2005 by pedrovski
Posted in textos soltos | 1 Comment »

quis seguir a terapia do ouvir
senti-me um doente com mascara
as palavras doem,
ai!! o esforço de sentir
sem deixar a marca
sem deixar a crítica
escondendo o desanimo, a magoa…
mas agora é tempo de ouvir…

sou um feliz admirado
sinto que tanto preciso mudar destas minhas teias vigiadas por um passado em que a vida torna-se o ego e o ego é o sentido da vida em sociedade (in)civilizada

sou um feliz desconfiado
sou um feliz sortudo

ouvi uma voz leve ao ouvido
enquanto sentia o seu respirar amarrado ao nú do meu quarto de infancia
enquanto aquela voz soltava-se em murmurios musicais eu sentia o amor a trocar-se no
transpirar dos corpos já transparentes verdadeiros e sinceros
eu aprendia a ouvir o outro som que não o meu, o som sem o meu dogma, o som sem o meu
julgamento

sou feliz, as minhas lágrimas são de um verdadeiro sorriso
e enquanto as gotas escorrem deixando o meu reflexo bem visível…
eu ganho forças para ainda mais sentir…
os sentimentos no fundo bem arrumados jubilam e já se vêm durante o dia…

é tempo de dar o coração, é tempo de amar sem julgar!


Foto tirada no Gerês