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cegos na noite

Posted on September 30th, 2005 by pedrovski
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somos cegos com medo da noite, seguimos com o medo da textura dos corações, sem sonhos acordados com medo que a luz desperte a mais verdadeira realidade.

despejamos restos de ossos que nunca mais voltarão ao mesmo sítio, agora sentiremos as coisas de maneira diferente, perderemos umas sensações ganharemos outra segurança. com os olhos vendados não descobrimos nada da vida e apenas nos protegemos dos ataques de luz. clarões de vida que fazem tremer os cantos mais escondidos do nosso corpo…

lentamente caminhamos em direcção à ilusão que nos afronta a integridade e sentido aventureiro. que se chama esta coisa de viver? que sentido terá viver? porquê tanta luta para escapar este viver, este descobrir do nosso corpo, dos nossos limites?



no vazio esconde-se a obediência

Posted on September 28th, 2005 by pedrovski
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ao passar pelas faculdades no início de cada ano, avistam-se os trajados, os mais novos de cabeça baixa em fila sem sorrir escondendo a revolta. O tempo passa e a revolta transforma-se rapidamente em aceitação, o ser humano de hábitos sobrevive a tudo e o medo mantêm-nos sempre no silêncio, no vazio da ausência de vontade autónoma e liberdade.

não admira os anti-depressivos, as consultas ao psicólogo, as idas constantes às compras, render-se às televisões e ao fanatismo a tudo o que possa ser mais fútil.

a mulher e o homem no medo guardam toda a sua dor, fingem para si ter orgulho quando já entregaram a sua dignidade à vontade violenta de outro.

neste momento amo cada homem ou mulher que grite não! que não se submeta às vontades, que não se venda ao medo, que lute por uma personalidade, por um ser que não o imposto, uniformizado e vendido!

de mudo a cego, a obediência transforma-nos em bonecos robotizados, em seres sem vida, sem coração. deixamos o mundo do sonho, da criatividade, da imaginação, do toque, do sorriso aberto, do riso descomplexado, do andar leve e liberto, das palavras com vida, dos pensamentos bondosos, da revolta contra o mal, da amizade e amor incondicional, da empatia por todos os seres, todas as arvores, todas as plantas, todos os fios de agua e tudo o que tenha uma vida e uma vontade, uma alma, um motivo!