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o ceu encheu-se de luz

Posted on February 27th, 2007 by pedrovski
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olha o céu,
escreve fogo
e enche-se de luz

foi aí que pedi
nesse rasgo
de noite iluminada
por ti

porque o céu,
encheu-se de luz

perdi-me da voz
nesta reza em silencio
espero levar-me
pelo ritmo das ondas
já não está
em minhas mãos

porque o céu,
encheu-se de luz…



o teu silêncio

Posted on February 22nd, 2007 by pedrovski
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na luz perde-se a magia; rasgado, o tempo virou cicatriz eterna! estás despida de vida, e esbanjas o amor em dor! odeio este pranto insosso, lamurias de voz derretida no silêncio sórdido. é pecado esperar por outro canto, é pecado pensar sem maldade, é contraproducente ser autêntico…
muda espreitas o céu por entre estas arvores maduras e sábias, deixa o vento lançar as sementes, deixa a derrota entrar no peito até arder e deixa-o arder e arder porque com o tempo estarei longe de teu silêncio…

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o fim do pateta

Posted on February 20th, 2007 by pedrovski
Posted in textos soltos | 3 Comments »

eterno é eterno? é estúpido o eterno! infantil sem lógica, próprio de patetas que nunca pensaram na vida. o eterno é como o mar que se estende no infinito, mas o infinito não tem lógica! o que vejo é esoterismo, é perda de tempo olhar o mar porque o seu infinito é apenas uma ilusão óptica da visão demasiado curta e sonhadora.
é tempo de matar este idealismo que me diz que há segredos escondidos na natureza, é tempo de crescer e preparar o caixão da morte porque nada irei ver! é tempo de olhar a lua como um mero astro, e o sol é apenas o sol, as arvores apenas arvores, o deserto apenas um deserto de vida… é tempo de parar de sorrir porque a vida é uma coisa séria, na vida adulta não se brinca nem se erra… apenas enchemos e esvaziamos os bolsos e assim mantemos a dependência na sanidade…



existência fragmentada em pontos de luz

Posted on February 20th, 2007 by pedrovski
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insurgente luz
quebra todo tempo

palhaços da diversão
senta-te e observa
o som da rebelião
contra os sonhos
dilacerados

não há voz no rio
há puerilidade na luta
e voz contra a guerra
por uma vida
um sítio melhor
uma existência profícua

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pela memória

Posted on February 19th, 2007 by pedrovski
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lá bem longe,
memória congelada,
lá no fundo deste coração violento,
mar e rio cruzam-se sem amargura.

volta esperança ao som do bater do vento,
estou sem ti porque somos diferentes,
estou sem a lua porque tenho medo da noite,
estou no calor do dia,
sonho com o arrepio
do frio na pele,
do azul do luar a bater sobre o escuro,
do vento frio sobre a pele nua!

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talvez um dia juntos num mundo melhor… 


coração violeta

Posted on February 16th, 2007 by pedrovski
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quem nos vê até pensa que somos semelhantes, mas garanto-te que somos bem diferentes! além de braços e pernas, olhos, orelhas, não tenho focinho de porco!
infelizmente rastejo no preito ridículo que meticulosamente montaste sem pedir qualquer permissão, agora enfastio-me numa fuga às paredes desta linha de morte.
pode este mundo ser tão triste como parece?
e onde nos leva este caminho de avidez por poder e ganância exuberante?
pedes-nos vassalagem, em troca dizes dar a liberdade?!! não há liberdade na escravatura! não há direito na merda do dever!! moral, moral primo da razão, pai de toda a lógica transmutada em obediência cega! pego fogo ao teu pranto por nova ordem mundial! nada me demove desta luta contra o poder e não há luxúria que me roube a liberdade de pensar e viver!

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queres tudo cuidadosamente ordenado! queres o mundo feito num quadrado, enches-nos de caixas feias e desnutridas… mas nada… nada vencerá a fúria das chamas do meu mar!


noutro tempo

Posted on February 14th, 2007 by pedrovski
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e o retrato é agora sórdida tempestade, outrora o mar recolhia todas as memórias com sua majestosa gentileza. como pode tanto amor derreter-se nas superficialidades do tempo. abdico do tribunal ao teu comportamento, e sei lá porque agora vendes o teu semblante, não quero saber, não quero comentar, não quero julgar…

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parque da cidade 2005


carta do universo

Posted on February 4th, 2007 by pedrovski
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desculpa…
não sabia que a terra não era suficientemente grande para teus gigantes pés! e agora o sol queima-te, talvez o deveria ter posto mais longe… e porque criei o petróleo em que agora te afogas como se tivesses preso em areias movediças?

desculpa…
deveria ter mesmo prestado atenção à tua necessidade de atenção e talvez feito um outro oceano com mais peixes para comeres e espaço para despejares o teu lixo… talvez um novo continente tão grande quanto áfrica para retirares tudo e tudo da sua terra até ela ficar seca como um deserto… talvez mais uma raça diferente de homens para explorares sem remorsos!
diz-me que mais querias para que da próxima vez nada te falte, para que não acordes, como agora, nesse desespero de contar as gotas de agua e teres de fazer do ar um negócio!

desculpa…
na minha inocência pensei que viverias sempre em abundância… quanto mais aprendo menos sei…



extremos

Posted on February 4th, 2007 by pedrovski
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sou esta caixinha bem fechada e submersa em águas turvas e barulhentas que caiem sobre um azul tépido reflexo dum céu há muito longe do paraíso! deixa-me afundar nesses teus sonhos enterrados, mundos aluados, promessas ilaqueadas, ventos de memórias recônditas!
o passado passa! – branda a razão – o caminho gasta os sapatos lacerados pela dor do andar, andar…
sou esta caixinha aberta, vigorante que emana toda a luz sobre o topo da montanha! visita-me aqui no alto para espezinharmos o mundo com a nossa bruta condição de senhores do trono!
a vitória mata! – branda o coração – o amor não conhece as vicissitudes da competição, aliás ele morre com o seu vazio sórdido…



carta ao universo

Posted on February 1st, 2007 by pedrovski
Posted in textos soltos | 7 Comments »

desculpa…
o fim dos teus ramos
o mau cheiro das tuas águas
o extermínio de tantas espécies
como poderia alguém adivinhar
que o homem ficaria tolo
e agora acha-se no poder
de tudo destruir

e esta avidez de tudo
querer possuir?
da próxima vez que criares o mundo
não faças o mesmo erro
que nos dês a compreensão
para assim sabermos comunicar

desculpa…
todas estas vidas artificiais
esta paródia à simplicidade
este carnaval de futilidade…
agora serviríamos melhor
enterrados…