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heresia

Posted on March 28th, 2007 by pedrovski
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repara como consigo levantar estas mãos em direcção aos céus, olha para mim livre de ti! olha o meu corpo como se mexe sem ti, olha bem as ondas que faço com os braços, até voar consigo sem ti! repara, vês? olha o pé a altura da anca e o tronco a seguir o trajecto do pé! tás a ver? agora rodo a cabeça só para ti, de olhos fechados, não vês? olho o céu a rodar, as nuvens a cair, o azul rasgado as folhas das árvores em remoinho!! olha até com a lua desapareço ela transforma-se num rasgo de avião a jacto! vês? tudo isto sem ti! tudo isto por mim! vês deus como não preciso de ti?

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foto tirada por pedro serra


gaia

Posted on March 25th, 2007 by pedrovski
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gaia, dá-me um canto dessa pétala que treme ao sabor do vento; dá-me um pouco dessa flor meu amor; e arranco essa flor e deixo-me inebriar com o seu perfume!
gaia, lavo estes meus lindos cabelos e deixo a sua sujidade no teu rio que segue viagem até ao grande mar. gaia, lava-me esta dor meu amor, como um bocadinho da tua carne e esqueço esta minha amargura!
gaia, minha mãe, tu dás-me tudo e eu tiro só mais bocadinho, só mais um bocadinho, um bocadinho, um bocadão! meu amor com certeza compreendes, na mesma circunstância talvez farias o mesmo, não?
gaia, minha doce dádiva de vida, como uma verdadeira mãe tu tudo dás e eu tudo tiro e ainda quero um pouco mais dessa tua gentileza porfícua; será que um dia te vingarás?

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foto tirada por pedro serra


o norte opulento, sul explorado…

Posted on March 25th, 2007 by pedrovski
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punho incompreendido estendido para lá do braço em direcção aos céus, em raiva estico-me mas jamais poderei explicar o que sinto! jamais! com toda as minhas forças cerro este punho até as unhas dos dedos rasgarem esta doce pele… mesmo assim, jamais compreenderás esta revolta!!



deus é minúsculo

Posted on March 21st, 2007 by pedrovski
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vês como todo o branco é agora negro? a lua pisou este sol anacoreta, que mesmo tão longe atira toda a sua fé na força do mar. que virtude me ofereceu a natureza de ser capaz de sorrir sem poder cheirar e tocar a inocente lua. tornou-se figura sublime, frágil como uma flor poderosa como um deus, deixaste-me preso a esta cruz a rezar por um fim de todo este turbilhão de paixões. que seria o meu dia sem a ausência desse perfume de mente? é tudo tão triste mentira, esse teu cheiro, esse teu riso… é tudo tão pérfido, mas este coração palpita-se com todo esse teu movimento de corpo!
    carnaval-0002741-invert.JPG
    foto original tirada por pedro serra – manipulada gimp 21 – mar – 2007


n a n a n a n a n a a na an a a an a

Posted on March 20th, 2007 by pedrovski
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contei 1 sonho
e aspirei sonhar
perdi 2 sonhos
e sonhei amar

sou o sonho
sonho contigo
verde sonhadora
em sonho pueril
de mente sonhadora
em sonho sem ti
em ti no sonho
sem tu sonhares
o sonho do amor
sonhas apenas
o não sonho
de não sonhar
sem mim no sonho
comigo sonharás
patético sonho!!



flor

Posted on March 13th, 2007 by pedrovski
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plantei
esta flor entre quatro paredes
abri o chão até encontrar a terra
deste quarto tenebroso
e lá finquei bela flor

a tinta descasca-se das paredes,
é sinal de cansaço…
farto de tantas lamurias
tanto sonho em banho maria!

e todos dias rego
a bela flor que cresce forte!
sei-o,
um dia ela estará tão grande
com pétalas maiores que os meus braços
sei-o,
daqui a pouco tempo
não haverá mais espaço neste quarto
nestas quatro escuras paredes
para flor tão grande!

aproxima-se o dia
que a trarei para fora
chorará na alegria do sol
e sorrirá à cadência da chuva!



revelação

Posted on March 8th, 2007 by pedrovski
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na manhã
caminhava o sono,
a luz
pernoitava
sobre os lençóis despidos

era estática
essa tua expressão
sobre a pele esticada
junto aos ossos

ausente cor
embutida de
cheiro a morgue

era uma asséptica
nuvem sem dor

num súbito momento
segredaste-me:
“fechei os olhos…”



o mundo da vida

Posted on March 4th, 2007 by pedrovski
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não sou e não acredito, não rastejo, não lambo, não obedeço! terás tu o que mereces? não sou teu canto, tua retórica rastejante, teu pranto psicopata!
rios de palavras, sabes tu quanto odeio essa penumbra títere? sabes o que restará desse teu objecto de vida excêntrico? desse teu tumulto de flores mortas? sabes o quanto odeio esse teu mundo que se eclipsa? sabes o quanto festejarei quando todo esse papel e metal arder? sairemos todos; os loucos vivos à rua, descalços sem casa ou terra! sairemos sem medo das armas e das rondas policiais, será nossa voz que vencerá no meio dessa tua derrota! porque o mundo é de tod@s e nunca será teu! o mundo é da vida que nele vive, não da morte! é das arvores que brotam da terra, não do papel que delas roubas!

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fanal – madeira – 2004