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Posted on April 19th, 2007 by pedrovskiPosted in textos soltos | No Comments »
o céu são migalhas
para esta puta de vida
assombrada pelas memórias
tudo era perfeito,
mas perdeu-se a inocência…

o céu são migalhas
para esta puta de vida
assombrada pelas memórias
tudo era perfeito,
mas perdeu-se a inocência…

tens poesia para mim? doce música para os ouvidos? tens um pouco de melancolia? um pouco de loucura talvez? talvez muita loucura? gostava de um pouco de rebeldia! gostava de mudar esta merda toda!
poesia para mim ao vento? coração verdadeiro ou derradeiro? gostava de algo diferente, talvez não o que gostaria, o que detestaria? talvez o oposto de mim! talvez um pouco de conversa sem sentido! se calhar uma conversa sobre uma nuvem, ou um ramo de árvore, horas e horas a divagar sobre os contornos duma pequena folha!? escolhe tu! talvez apenas queira
finalmente sentir…
homem de metal
de cruz ao peito
que pivete a sangue!
nessa apatia
comes tudo
até essa cintura
rebentar
meu pateta!

luz verde
sobre maças de rosto
e o escuro?
lembro-me do escuro
palavras sem som
venda sobre os olhos
lábios junto ao pescoço
costas sobre o peito
gritos sem dor
de amor ausente
em desejo ardente
tempestade sem fim
e pétalas sem destino
de ar libertino
prazer sem pecado
pecado pedrado

vagamente lembro
respirar lentamente
e sentir a lua
sobre a alma
e a alma sobre o peito!
partiste sem malas
na viagem de preceito
partiste sem voz
no caminho sem sonho
partiste sem dor
e ninguém parou por ti
partiste sem amor
e ninguém percebeu
partiste sem deus
e nada aconteceu
e agora fecha bem esses olhos
porque a luz é penumbra
a luz esqueceu-se de brilhar
estaremos todos juntos um dia
nesse buraco do nada
estaremos aí contigo
nessa apologia ao zero
um dia amei-te hoje vivo sem ti
outro dia estarei aí
bem morto junto de ti…
sol de lágrimas neste tempo que derrete o som das chamas! onde tás? porque penso no céu dessa tua luz que vagueia num imenso poço vazio? vergonha para mim! vergonha de mim! vergonha por mim! e lá bem longe és capaz de cheirar este sonho? ouves esta lamúria sem sentido? é a fraqueza que me faz sentir! o sensível derrota-se, perde na vitória de ser, na angústia de viver! respira devagar e verás o meu pulsar! solta a corda em volta… é tempo de morte? é tempo de aventura sem nome? é tempo de sonhar a tua ausência? e serás alguma coisa para mim? GRITA SEM MIM!!! FOGE SEM TI!! SONHA SEM MIM!! respira sem ti…

enfastia-te
doce brinquedo
de lábios secos
num miradouro descalço
cheio de café
nesse dedo do pé
e a carteira no chapéu?
sopra forte meu vento
estás ao léu!
atira-te ao ouro
doce companheiro
abraça ontem mesmo
a morte assombrada
de metal ao queixo
nesse poleiro…
…que palhaço!
lá bem do cimo deste monte, avisto com belos olhos paisagem bucólica! daqui e de pés presos na terra do cimo deste monte conheço o mundo sem as amarras do medo! aqui as nuvens são transparentes, os pensamentos imaculados; o coração? esse, é sempre um vagabundo…
venham os dias tristes, os dias alegres, os dias desprezáveis, os dias em que tudo acontece; e eu? sempre aqui no cimo como um pássaro arrogante, glorioso no seu inalcançável trono… ai a pele, sinto saudades do sabor da pele, e lembras-te dos dias que andei que nem um parvo? uma criança apaixonado por um sonho, cheio de amores por uma quimera, era mais absurda que as história de peter pan! criança, criança, criança, uma criança parva e feliz; um sonho, dois sonhos, o tempo caminhava e a fantasia vivia, transformava-se em cores e em cheiros doces e o sabor dos lábios? lembro-me do sabor dos lábios, lembro-me do sorriso, do riso, da gargalhada, da brincadeira, do amor, lembro-me do amor, lembras-te do amor? sabes o que é o amor? era amor? não era amor? o amor, o amor mais pueril, sim ingénuo, e o tempo mostrou o amor de dias contados, o amor morto, o amor que era sonho e agora apenas dura realidade. acorda diziam-me!!! acorda!!! acorda!! era fantasia? é desastre! fim, o nada, retorno à vida rotineira, que morte estopada! e viva ao retorno da não vida deste triste status quo!!