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geração inóspita

Posted on May 27th, 2007 by pedrovski
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aquele dia, esbocei um gesto,
um simples apertar de punho
agarrei bem esta pele solitária
agarrei bem este coração!!

olha e vê este mundo
está tão descalço de vida!!
geração marioneta!
geração dormente!
sem almas de luta
sem luta na mente!

despidas de garra
cambaleantes criaturas
com medo de sonhar!

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as pessoas mudam

Posted on May 22nd, 2007 by pedrovski
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meu grão de areia,
levado pelo vento
mudas de sítio
como quem muda de humor!
agora, foste olvidado, levado
para tão longe da praia
onde o sol esqueceu-te
e o mar não canta
aquela música que tanto gostas!

lembras-te das ondas?
e dos pés descalços?
do vento rebelde?
e as marés que
saciavam essa sede?

e agora onde tás meu grão?
ai preso nesse sítio
que não brilha!!
meu grão? estás perdido!
aí não sentes a vida
aí, ninguém te liga!

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chamam-no capital!

Posted on May 21st, 2007 by pedrovski
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a nova fé
instiga
o ritmo das memórias!

este novo senhor
que abnegou princípios
e abateu a liberdade,

esta nova religião
isenta de moral
um vazo de alma
de mentiras coerentes
e corações indolentes,

leva o tempo
na sua verdade
e as vidas
na sua violência;

sem escrúpulos
esconde,

os beijos
na sua frieza
a sensualidade
na sua racionalidade.

desejo-te
a pior das mortes
meu senhor!



semana sem tv

Posted on May 17th, 2007 by pedrovski
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empacotados, soltos, ausentes de vida, em fila subserviente ao capital assim desenham-se televisões maiores que a cabeça. nesta trilha com certeza seremos um dia apenas quadrados de plástico!

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foto tirada por sara leão – performance semana sem tv – artactiv@ e gaia


o portão para a escuridão

Posted on May 17th, 2007 by pedrovski
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e todo ódio é apenas ócio de amar, homens rezam diferentes caras, pintam-se em diferentes cores, desenham-se diferentes feições, espreitam por vezes em vergonha as saudades dos cheiros e toques. somos filhos, e somos tão diferentes, mas somos filhos desta terra e desta grande mãe. vagar o amor é apenas doença temporária, chamam-na hoje a sanidade, a perfeição muito embora ela carregada de ódio pela diferença e de violência para com a autenticidade de certas insanidades.
a preguiça de amar liberta as almas da luta pela vida, assim todos fogem das desavenças interiores e podem caminhar sem medo e entrar directamente na porta do mundo cego!



all hope withdrawn

Posted on May 17th, 2007 by pedrovski
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here dreams lie leaning like dead flowers in an abandoned city garden. dreams lied to me again while i was still sleeping in the warm quiet bed of hope! here, dead in this moment, with all hope withdrawn i asked god nature to help me understand just why do we all just die and willingly portray these masks with such scary and sterile emotions. god nature help me understand this stolen gold in my pockets, god nature help me understand how all men are dead and please god nature help me understand the day i died…

este texto é parte do projecto “the missing person“. projecto criado por pedro gonçalves e jeff castro.

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por capricho do tempo

Posted on May 13th, 2007 by pedrovski
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dorme sonho
vagabundo,
mas no entanto
só queria que soubesses
as cores que vi
e encheram o céu

e sei-o
será cedo demais
para ti
e para esses olhos
perdidos, singelos
que olham tão leve
de passado
cristalino
de ondas ainda apaixonadas
de ventos gentis
e perfumes de primavera

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o milagre do tempo

Posted on May 11th, 2007 by pedrovski
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e bati redondo no chão
que pisei…
na hora, estava coberto de neve
agora erguem-se ervas daninhas
quase vingativas
devido a inverno tão rigoroso

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eu olhava as horas
estava apressado para apanhar
não sei bem o quê…
não sabia se apanhar
receber,
ou era algum encontro
com o destino…
sei que estava de cabeça
pregada nas horas
com medo do tempo passar
e cresciam cabelos brancos
doces,
tudo enquanto
parava em frente aos relógios
tudo enquanto o mundo
colapsava, e erguia-se novo
por mim passou o amor
e a tristeza profunda,
passou o encanto
e eu sempre de olhos fixos
naqueles ponteiros
sempre a pensar onde
estarei a chegar,
quando estarei, como estarei
e onde estarei
é milagre do tempo!
tudo passou por mim
e eu, nem me apercebi…



resposta ao cortejo do degredo universitário

Posted on May 10th, 2007 by pedrovski
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a diversão nunca será palco do plágio, a diversão é única, bela, original, ela não nasce de preconceitos ou tradições repressoras; a diversão é livre como as ondas do mar levadas pelo vento, como o riso sem malícia, a brincadeira sem dor. a diversão é o graal deste mundo, a diversão agita consciências, a diversão não é palco de arrogância ou obediências reprimidas. a diversão, o humor são os catalizadores da mudança do enaltecer de empatias entre nós, pessoas, nós animais, nós parte da natureza; nós agentes de mudança deste mundo de merda, nós revoltados contra a injustiça desta sociedade atroz. somos nós que nos divertimos de coração aberto, nós que rejeitamos o degredo da pseudo-diversão do vazio, de gente plangente, letárgica, pérfida, enrolada nesse nada que bebe até esquecer, que obedece até morrer, que canta só porque alguém canta ou grita só porque alguém grita…



sem título

Posted on May 7th, 2007 by pedrovski
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órfão de alma, meio corpo dentro de água deste imenso mar sem terra, o céu encheu-se de lágrimas como que por perdão pelas memórias! sinto estas veias a palpitar tempestades, os corpos deitam-se sem sonho e lá no fundo os gritos de prazer e dor solitária misturam-se nesta aventura insegura e livre! o presente sopra estes beijos em fúria por um passado de quimeras perdidas e vontades imaculadas, hoje esmagadas… resta-me a esperança deste arrepio com teu sorriso, riso… resta-me este frenesim interior com a brandura do teu olhar, resta-me esperar esse toque sem dor, esse brilho de cor, resta-me apenas um dia sentir esse beijo sem fim!

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caminho sem fim

Posted on May 6th, 2007 by pedrovski
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chove vento
forte sem perfídias
nessa luz nédia
nesse suor derramado

a luta é aguerrida
a dor… a dor…
levanta essa máscara
hora de olhar o mar
é o eros deste ápice
o vento chuvoso
limpa as lágrimas
o céu baixo sobre o mar
e o aleive do mundo?
dissipa-se na imensidão
destes momentos…



flores selvagens

Posted on May 2nd, 2007 by pedrovski
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e crescem sem aviso, sinto-as na minha pele, sonhos e cantos escondidos do corpo! elas crescem cheias de cor e vida prontas para a rebelião. elas amotinam-se contentes, brincam com a tristeza e sorriem de saudades… elas crescem sem controlo neste meu corpo! elas não vivem do passado ou futuro, elas simplesmente sentem… elas simplesmente vivem, soltas, leves, no sol e chuva, escuridão, na chafurda, luz e no perdão! elas agitam uma revolução, elas estão fulas de alegria e sentem a tristeza com jovialidade, elas mudam este mundo descalço de voz e ser!

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sem título

Posted on May 2nd, 2007 by pedrovski
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cresço para cego
porque a alma rasga-se
em ventos
de mudança moderna
na índole
estamos perdidos
desconectados
sem essência
ou vontade de amar

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foto tirada por vera martins