Posted on June 28th, 2007 by pedrovski
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mais vale morto… adormecido, apático, letárgico, plangente! olha a tua volta o mundo em queda e tu nesse sono compulsivo! e viste as lágrimas do céu? a dor do mar? a seiva das árvores? o tempo roubado, as gentes sem espaço? as prisões de vida? as lutas perdidas?
e ninguém se importa com a morte? e ninguém sente a perda de vida, ninguém sente o mundo a ruir? estará alguém a ouvir? alguém para lá deste muro de emoções?
estou farto de tanta morte! e estou farto de mundo feito de rupturas com o coração, de cair e levantar, de lutar e perder, de lutar e ganhar para um dia alguém roubar a liberdade! a desordem do mundo, o colapso dos seres, o racismo, o especicismo, a homofobia, o machismo e todos os sinónimos de ódio à diferença, de incapacidade de partilhar um espaço, um tempo. a incapacidade de sentir as pulsações, o medo de ser, a vontade de morrer! mais vale a verdadeira morte, pelo menos de olhos bem abertos e de coração a bater vigorosamente no peito! odeio-te por seres nada, odeio o vazio de teus olhos sem brilho e tua incapacidade de amar! odeio a tua falta de ser! odeio-te por te odiar!
Posted on June 26th, 2007 by pedrovski
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campos bucólicos ausentes
de gente, vazio descontente
beleza perdida, lindo!
que mundo tão lindo solitário…
que mundo tão perdido em beleza
que paisagens sem morte
que vida tão intensa
solitária
que cores, que brilho!
que beleza solitária!
que melancolia de ausência
que canto tão maravilhoso
que vida tão bela
e tão solitária
que ideias tão imaculadas
que sonhos tão inocentes
que amor tão resplandecente
que interior tão rico
que solidão tão triste…
Posted on June 25th, 2007 by pedrovski
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o corpo
apenas desenho
esboço
fortuito
de tantos sonhos
de tantas ideias
tantas paixões!
o corpo
apenas superfície
mais fina
de tanto amor
partilha
abraço
risos
sorrisos!!
o corpo!!!!!!!!!
é apenas um nada
o corpo!!!!
é um mera imagem
que altera-se segundo
os padrões sociais
as regras ridículas
as publicidades pútridas!
o corpo que é apenas
figurante
apenas uma pequena parte
de todo um ser
único, admirável
que varia de imagem
segundo os olhos
a paixão, a força interior
é agora o graal do mundo
esta forma, talvez ridícula
talvez absurda
é agora o motor das paixões
num mundo dominado pela imagem!
num mundo podre
onde as contas bancárias
contam mais que a dor
e o amor é apenas conto de fadas!!!
Posted on June 20th, 2007 by pedrovski
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junta a unha do teu pé
rente ao chão, quase sem tocar, quase sem ouvir o sussurro cambaleante desta tortura carcerárea… estás tu, estou eu neste canto solitário sem penas para voar e de coração difuso, amargo, morto pela vida.
junta essa tua unha
quase sem tocar meu corpo
assim poderás sentir como está quente…
só uma unha é mais que suficiente para soltar este peito desta jaula maldita!
deixa essa tua unha
crescer…
até a terra dos chãos aninharem na sua frente, até pequenas sementes encontrarem repouso junto a esses teus dedos dormentes, violentados pelo status quo.
em breve raízes brotam das unhas e seguem direcção à terra molhada, revoltada, abandonada… e ela abraça as raízes e deixa-te o corpo liberto para o movimento das flores ao sabor do vento e do quente do sol!
Posted on June 13th, 2007 by pedrovski
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talvez voar, talvez chorar, talvez sonhar, talvez sorrir, talvez cair, cair, cair. talvez prazer, talvez sofrer, talvez correr, parar? amar? será mais um dia e qualquer um dos sentimentos a pairar; hoje talvez acabe a desejar a morte, amanhã pode ser que venha a vida para me alegrar o coração, quem sabe uma amizade, um carinho; talvez um desprezo, talvez abandono, quem sabe talvez venha mesmo a ser enterrado, talvez arranquem-me o coração e deixem-no a bater na mão até sufocar…
e pensei, tenho-me a mim neste buraco sem vida, tenho-me a mim neste pensamento, posso talvez fugir! talvez fugir para bem longe onde ninguém sabe, e onde ninguém vive, posso tentar amar este meu canto, posso até tentar gostar de partilhar um pouco deste recanto, posso até descobrir que haverá outro alguém no mundo a quem possa partilhar esta dor de ser!
Posted on June 10th, 2007 by pedrovski
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desnorte chuvoso
em terras secas
quimeras absurdas
de ventos juvenis!
tolo do mundo
gume do medo
a chama da liberdade!
chamam-me,
homem sem rosto!
anarquista,
feminista,
trapezista do pensar!
detonador da razão!
demolidor da moral
do homem civilizado
dos bons costumes
e preso às contas bancárias!
dizem;
queres liberdade sem restrições!!
dizem que sou livre,
e que falo tudo o que penso
brinco com o mundo é?!
satirizo as boas maneiras
ironizo o vender do corpo…
falo sem pensar
e penso em tudo que falo!
eu diria…
sou apenas como tu,
apenas sorridente porque quero viver
sou apenas como tu,
apenas livre para falar,
apenas como tu, agora livre para brincar…
Posted on June 10th, 2007 by pedrovski
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de surto pa susto
envidrado, frágil
de sonho débil
e vergonha de amar
neste oceano
de melancolia
mar perdido da costa
deserto seco de sede
paixão doida
de ventos turvos
e mentiras doces
chama a chama!
arde a tempestade!
chega de contrariedade!
é tempo de sorrir
de sentir
de esculpir
um presente
sem futuro
um agora
sem passado!
Posted on June 10th, 2007 by pedrovski
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e crescer?
para sonho apático
mundo dormente?
e cresceste
para sorriso frio
para máscara na face
para morte do sonho
para vida sem paixão?
e é melhor fugires
vai-te embora
para bem longe
do coração!
segue caminho do preito
das normas, do ódio!
segue essa linha pérfida
segue esse destino roto
segue esse eufemismo de alma!
Posted on June 7th, 2007 by pedrovski
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somos sonhos
de papel,
somos visões
de plástico,
somos utopias
desleixadas,
somos facas
prontas a matar,
somos bonecos
comandados,
somos preito
sem peito!
Posted on June 6th, 2007 by pedrovski
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estás estampado nessa parede branca, sem rugas, branca de início ao fim, lisa de cima a baixo. e mesmo que olhasses de perto de lente encostada nada verias que não o branco, branco, branco… branco não de simplicidade, um branco de indiferença, um branco de ausência. assim estás tu ali parado, estás encostado ao céu sem sonhos para alcançar, encostado à lua sem um único impulso de paixão! assim estás tu, assim estão tod@s neste pedaço de terra giratória, que alterna o quente com o frio de rachar, de norte a sul, de este a oeste, tudo branco, liso, à espera duma morte sem medo, duma vida sem chama, de um fogo apagado, duma noite sem amor, de um cigarro para fumar, uma bebida para esquecer, um shopping para preencher! assim estás tu amig@, companheir@ deste planeta doente, estás à espera que venha o dia em que tudo acabe e tu? sempre sem dar por nada…
Posted on June 4th, 2007 by pedrovski
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preso, mudo, de passos leves transparentes; mas a alma na penumbra solitária, pés baloiçam sobre folhas secas de amor maduro, alma dilacerada, ventos mortais rezam o fim. amor é deserto meu amor, amor transmutado em dever meu amor, atira esse sentimento ao fogo e deixa-o arder e arder porque os dias tão contados… minto de mente subtil e inocente, minto o que sinto, por ti minto amor? quero sentir, não me deixes sentir, diz-me para sentir, não quero mentir, quero sorrir, diz-me para sorrir, ouve a batida sente como ela treme o teu corpo e baloiça o mundo, deixa o mundo baloiçar por nós, mas o mundo está podre? o mundo está descalço, o mundo tá fodido, a vida foi feita prisioneira do medo, do tempo, das manhãs sem risos e ventos sem almas!! volta infância perdida, preciso agora mesmo de ti, volta sentimentos genuínos e palavras pueris, olhares em brilho e mentes que não mentem, sorrisos que sentem!
Posted on June 2nd, 2007 by pedrovski
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rio, meu rio nem olhei a tua cor porque só senti a tua brisa e ouvi os teus murmúrios, naquela tarde o sol respirava de alívio! queria tanto saber o que sonhas meu rio, sei que a mesma agua que correu ali naquele momento não voltará da mesma maneira nem com a mesma disposição!