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linguagem apodrecida

Posted on August 26th, 2007 by pedrovski
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não consigo descarregar este vento, esta rajada de paixões, porque em mim as palavras serão apenas epítetos comuns, as palavras embrenhadas em racionalidades baratas, em confusões interpretativas na cabeça de gentes que não pensam. a poesia é pagã, mas quando penso o que sinto, derretem-se as palavras ao sair desta frágil boca de tão frágil língua.
julgo, as palavras estão contaminadas de morte cerebral, elas elevam-se apenas para aqueles que pregam epopeias patéticas, meros bailarinos escravos do rei. bailarinas de superfície perfeitamente desenhada de movimentos suaves e brilhantes, mas de interior roto, apodrecido, morto pelo ódio dum mundo que não sabe, nem nunca soube comunicar!

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platónico!

Posted on August 17th, 2007 by pedrovski
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o aperto é indomável,
cai-me sobre a garganta e sobe até à ponta da língua; ela enrola-se em silêncio com o medo do inicio do fim. este sentimento é segredo, este momento é só meu, este sufoco é solitário. e cheirei as folhas de papel daquela imponente árvore que nunca irei trepar. o absurdo é o amor, o ridículo é amar, o proibido é pensar que tudo muda e que um dia tudo, tudo e tudo será talvez o inferno, talvez o paraíso!
esta vergonha que tenho, esta vergonha que tenho, esta vergonha, esta vergonha, esta vergonha, esta vergonha de não conseguir esquecer, de não olvidar para tão longe onde nunca mais se ouvirá o som deste aperto anacoreta!

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horas?

Posted on August 14th, 2007 by pedrovski
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levantei-me, era cedo e as horas ofuscas numa escuridão matinal! caminhei subtilmente pelas ruas, aqui e ali lembro-me de alguns sítios que passei, como se de fotos tratassem. era verão mas um frio arrepiante entranhava-se no corpo, lembro-me vivamente que estava um dia sem sol. caminhei sempre junto ao rio douro, até encontrar o fim do caminho de estrada, um único caminho seguia, era pela água do rio até dar novamente à pequena estrada. ela estava já a banhar-se no rio, e os braços rodavam de dentro para fora… olhava-me, já me conhecia, transparecia o sorriso de quem me reconhece exactamente como sou. abanei a cabeça em consonância, tinha saudades de sentir aquele olhar familiar. entrei na água e abracei-lhe o corpo, deixei-me ficar ali a flutuar no rio, rapidamente o frio deixou-se de sentir, flutuamos pela água sempre sem se afundar, ali os corpos juntos rodopiavam como numa estranha dança ao ritmo da corrente. naquele dia, naquela hora, naquele momento, não havia dia, hora ou momento, havia sim uma sincronização de sentimentos há muito perdidos nos sonhos… afinal nunca soube as horas…

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droga dos cegos

Posted on August 6th, 2007 by pedrovski
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esses sapatos sobem-te sobre as meias, estão empenhados em cobrir o teu movimento, torná-lo audível mas misterioso. então segrega-me deste meu andar e anda tu nesse ousado ritmo. o verão é apenas criatura presente, o tempo são lágrimas sem dono. o dia escurece as memórias, as ruas tornam-se luzes para o tédio dum mundo sem chama! tenho de encontrar um novo sítio para novos devaneios, tenho de ouvir outras vozes para de novo afrontar esta racionalidade. se arregaçares os braços em direcção às mangas, reparas que a pele torna-se escura, bem escura quase preta! mas tu não a vês, estas demasiado ocupado a odiar! ouve-me!!!! esse ódio é a droga dos cegos!!!

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vermelho jardim…

Posted on August 5th, 2007 by pedrovski
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pássaros
no papel voam livres

mãos de pincel
sons de poesia encantada;
o silêncio ouve
este jardim de sentimentos…

hoje floresce o vermelho
porque o céu é o mar
e as tuas mãos são meu peito
desce sobre os braços
aperta bem este presente

conspurca-te nesta nuvem
estarei ao teu lado
porque nunca esqueci de esquecer…

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borboleta…

Posted on August 4th, 2007 by pedrovski
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sente todas estas promessas, e bebe estas palavras, sonha com este meu sonho, deixa-me entrar; beija estes lábios, sente esta revolta, luta por estas ideias e sonha com este corpo. deixa-te levar pelo maravilhoso ser autêntico, pela liberdade destes poemas de amor, por estas cantigas, estas rebeliões. deixa-me entrar com este meu mundo tão bonito, deixa-me mostrar o quanto tudo pode ser diferente e deixa-te apaixonar por este cantinho, por esta onda, esta praia, deixa-te levar pelos sentidos, pela soma de todos os sentimentos, pelo amor, pela vida, pela alegria, pelo humor! e joga este jogo e vê como este sentimento é eterno, deixa-me entrar e mostra-me um pouco desse mundo, deixa-me entrar nessa vida em luta, nesse teu canto escondido. e lembras-te de teus sonhos, deixa-me entrar e lembras-te de todos os medos, todas as histórias que ambicionavas, lembras-te de ser? lembras-te de amar? deixa-me entrar com este meu desejo de tudo transmutar, deixa-me entrar nesse teu mundo comigo e contigo, com a nossa voz, deixa-me mostrar esta voz e deixa-me ouvir essa voz. não quero o corpo solto sem mente, quero a mente solta em noção de corpo, quero a forma sem forma, quero outra forma, outra maneira, quero outro olhar, quero outro desejo, quero amor, quero outro mundo, só tu, só eu, só nós, na luta por esta diferença, este desejo de tudo ser, nesta harmonia com tudo o que vem de dentro, do ardil dos pensamentos, do âmago da alma, da chama do coração, deixa-te levar por este sonho violado, por este desejo clandestino, esta morada órfão, este pensamento sem ordem, este pranto pela morte, esta lamuria pelo estado actual dum mundo subvertido, deste idealismo sem fronteiras, esta vontade de tudo abarcar, desta necessidade de querer um mundo sem armas, sem ordens e no caos apaixonado das ideias, na subtileza da liberdade e da simbiose de todas as coisas…

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