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penas de chumbo

Posted on February 28th, 2008 by pedrovski
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erguem-se eclécticas e vigorosas, belas penas de chumbo crescem da epiderme duma pele gasta pelos horrores do tempo. erguem-se ao som do céu aberto, e brilham ao reflexo do vento. o corpo refugia-se das asas e a boca esconde o coração. hoje resolvi mais uma vez mentir, no fundo, quis saber se ainda sentia…

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ensaio para uma loucura cap. liberdade

Posted on February 25th, 2008 by pedrovski
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de aço é este meu ser. aço inquebrável, para ti, e em ti estão ausentes as lágrimas, está de partida a revolta. inerte coração de ti, sentir rasgado pela derrota. estive numa guerra e esburaquei o meu tecto, transmutei os meus sentidos e agora amo apenas um cadáver. é belo o que está para lá da janela, a luz sobre o amarelo na velha janela. a janela agita-se no ultimo andar e indicia-se para uma queda lá do alto. a janela é uma luz no ultimo andar. está para lá do sangue que esvai-se da ferida incurável, a janela está perto dos meus olhos, a janela do ultimo andar ganha asas!

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jardim desencantado

Posted on February 20th, 2008 by pedrovski
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o silêncio da ausência tem vista para o jardim. é cadavérica a chama, chama a noite calma, chilreia cadáveres passados acamados, acostumados. presos ao canto, num canto cantado, numa charada e ao som dum charro, chilram às vozes do vento; é amor diz um imbecil cujo o queixo ultrapassa o centro da testa e o nariz acalma-se ao aconchego dos lábios. remete-te ao nu das palavras e enche a tua chávena de chá pela chaleira xadrez sempre sem que o cotovelo toque o chão da mesa. às traseiras dos pensamentos mais sensuais e os devaneios infantis espreita, quase subtilmente, a mais dura indiferença, a tua indiferença, e agora resta-me clamar no calor um indesejado adeus…

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a lua herética

Posted on February 16th, 2008 by pedrovski
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mantém a palavra na lua, os lábios são para tocar os dedos para amar. tenho um fantasma no corpo, um desejo no sexo e um ruído nas palavras!
é vermelha a solidão, as sombras falam-se nas entrelinhas em desígnios incompletos. agora que somos judas podemos realmente seguir em frente com o aleive do sexo. o sexo é a prenda da estupidez!

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silêncio…

Posted on February 14th, 2008 by pedrovski
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de tanto ouvir desfigurei-me para mudo?

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esgueira

Posted on February 10th, 2008 by pedrovski
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doce vagueio em rua disforme, atiro as mãos para a pele, ondulados entre os dedos o suave toque da epiderme num desejo, de quem sabe, furtar um beijo.

os lábios são a vanguarda dum mistério. um passo é o defunto da esperança, uma esgueira vence o som as chamas desta lareira…
terá de haver outra maneira…

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somente o sol!

Posted on February 3rd, 2008 by pedrovski
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o céu são as cinzas desta dimensão, e deixei-me a fumar árvores à espera de alguma recompensa! o chão caiu para mim e está para nunca o sossego. sons de máquinas e mais máquinas, o ruir do chão, o som da televisão! caí inerte de olhos no cimento em fé no segredo dos deuses. pedi-te um desejo em sussurro mudo de olhos surdos só para que me deixasses o sol!

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vagabundos (ensaio para uma loucura)

Posted on February 2nd, 2008 by pedrovski
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na porta estavam 3 vagabundos de mãos a cheirar a fumo de tabaco, estavam de olhar perverso como se tivessem cometido um pequeno delito. 3 vagabundos respiravam o mesmo ar junto a um café, já não era a fome que os libertava, havia um outro fumo no ar. o vento chorava sobre o asfalto e eu caminhei junto à berma para não ser visto pelos paralelos da estrada. aquele vento trazido na cumplicidade dos 3 vagabundos só roçava ligeiramente a pele das minhas pernas. estava de calções e a chuva estava fria e seca. apressei-me a entrar para fora do café, sempre respeitei que um dia precisaria da cafeína, então atirei a chávena ao lixo e bebi o café, lentamente, quase a saborear aquele amargo preto. na rua estavam agora 3 vagabundos com 2 polícias, queriam saber o que estavam eles a respirar. um deles soltou um leve gemido e não se conteve. foi aqueles momentos em que o desejo ultrapassa a razão, então pegou no ridículo boné de um dos polícias e bradou de chapéu ao vento e chuva – rabisca a liberdade de nada perder por nunca querer ganhar! vós, sois escravos da rotina e obedeceis à coroa do pateta! – nesse momento irrompi em lágrimas vermelhas, estava nesse mesmo instante a desenhar uma rotina, entretanto o polícia fulo com os malvados costumes daquele vagabundo sacou do cacetete e tudo virou noite!

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