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saudade

Posted on April 30th, 2008 by pedrovski
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as saudades tremem ao sopro do memória, a saudade resguarda-se da solidão amarga. tudo o que sinto, tudo o que sinto, tudo o que sinto aqui no âmago do corpo só para mim. o semblante redondo, a máscara que trazias… era a máscara mais perto de ti. os sapatos mais pequenos que uns pés, o corpo solto da roupa, o caminhar liberto das amarras dos tempos. a juventude que trazias, a criança que crescia nesse teu ser adulto perdido. eras uma brisa ardente, um corpo viajante e crescias ao meu redor. cresceste sobre o meu lábio superior. suavemente os teus dentes, um ao lado do outro, sorriam por algo mais. algo mais que um sorriso, eles um após o outro fixavam um futuro perdido de mim. por isso partiste… este tempo, que seria talvez deveria ser, mais que eterno foi um rasgo. um rasgo de amor e as amarras que trazia mal me pesavam, por mais que apertassem os punhos, por mais que me reduziam o espaço a um mero círculo cada vez mais pequeno até não poder andar senão ao teu redor. era o meu passeio diário, todos os dias à tua volta, ao longo das curvas do teu corpo, e com as mãos curiosas sempre à descoberta de todas as linhas que cresciam contigo e que para mim era dum anjo e tocava-as respirando o prazer a cada momento até tudo desaparecer. é o amor explicava-me alguém que não saiu um metro de seu raio de acção. é o amor berrava-me alguém que mal vivia sobre si, respiravam todos a fantasia de historias, contos contados noutros tempos. não era amor, e ela não era um anjo, e tudo, tudo, tudo morreu ali, morreu, morreu e fugiu toda a ideia virgem e ingénua do eterno caminho.



caminho

Posted on April 28th, 2008 by pedrovski
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ao caminhar sobre as verdades enche-se um vasto cemitério de sentimentos. a lhaneza entra sobre corpo como uma lamina afiada, ninguém nem nada a consegue extrair, ela descansa ali e a dor repousa sobre o hábito. não há forma de matar um passado morto, ele foge da dor mas mantém sua lamina envolta de um sangue bem seco de vermelho tépido. é pútrido este mundo e assim são também algumas das suas memórias. entrego assim a minha sorte da vida às mãos das lembranças porque em criança o sonho corre sem medo das recordações tempestuosas. entrego-me sem medo à vida nesta trilha.
o alcance do presente é intemporal, o prazer dos instantes e das metamorfoses instantâneas das vontades só nascem no caos da espontaneidade dos acontecimentos. a mente atira as pernas para a frente e os buracos escuros no chão enchem-se de formas e encontram rigidez para pousar uns pés enérgicos.



jogo

Posted on April 27th, 2008 by pedrovski
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de tanto gritar mudo
perdi-me da charada…

não respiro
sinto!

não falo
sinto…

não amo
sinto!

é um jogo
de vitória anunciada
deixo-me levar
pelo usura de quem me usa
porque o vento
da minha loucura
transpirou a raiva
toda pelo corpo…

hoje, este desejo morto
transparece
esta minha natureza defunta,
anunciei
um adeus em jeito de fim…



sois objecto

Posted on April 14th, 2008 by pedrovski
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quem vive rígido, preso às convenções, para quem o corpo se tornou uma obsessão. corpos magros, corpos pseudo-perfeitos, corpos aceites. o corpo como deus, tornou-se uma abstracção da ausência de desejos e verdadeiras sensualidades nascidas livres de padrões. crê-se no corpo, reza-se ao corpo, estica-se o corpo, perde-se a mente no corpo, perde-se a vida no corpo, o corpo tornou-se a mente. sois objecto.



fim de semana pela ocupação – espaço contra a autoridade

Posted on April 12th, 2008 by pedrovski
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pedras…

Posted on April 11th, 2008 by pedrovski
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o rio desce sobre o mar e durante a viagem colhe e colhe pedras e pedras, pedras e pedras e pedras… o rio leva o vento como suspiro em direcção do mar. o rio desta cidade está farto de tanta pedra que encontra em direcção ao mar…



muro

Posted on April 11th, 2008 by pedrovski
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muro céu
em firme cinzento.
muro de visão
muro da tentação.

ideias,
virgens
imaculados desenhos
inspirados fazeres
toques leves
de sedução
permanentes livros
de luz.

tudo em mim
perante esse muro
talvez,
quem sabe olhar,
pelas frinchas
deixadas pelo tempo
e ao som
do movimento voraz
deste meu desejo.



contos do desejo h-2

Posted on April 11th, 2008 by pedrovski
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o rosto leve, perdido na noite e aconchegado sobre o lençol. vermelho, os lábios, sobrava uma luz vermelha sobre a face ao escuro e ao som duma televisão semi-ligada a semi-som em semi-presença. e deitava os olhos sobre tua boca suave, saliente. ela soprava em melancolia o som do respirar. os lençóis tremiam ao bater do meu coração, nunca iria beijar aquele amor, nunca iria sentir aquela pele sobre a alma. era proibido pensar que um dia aqueles olhos fechados à musica dos sonhos iria sonhar com a força que guardo neste corpo que um dia serás poesia achada…



humana…

Posted on April 9th, 2008 by pedrovski
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sentimentos levam-me daqui, para longe. a glória destes apertos, os nervos ríspidos das minhas mãos, a tensão do corpo leva-me para longe, bem longe onde se enxerga a raiva e vive-se livres, livres do amor, do ódio pelos sentimentos amorfos a gentes mortas.

plástico envolve a película que chamas pele. borrachas dançam sobre os lábios, linho cresce dos cabelos e das mãos escondem-se luvas. vestimos roupa com medo da solidão do corpo, da autenticidade do próprio corpo,
da originalidade das suas linhas, do desejo carnal que desperta o suor.
sentir significaria despir-se, seria uma heresia à própria vergonha, ser-se humano é crime? é delito o prazer do companheirismo… é crime punido com loucura sentar-se de vento ao colo e mar no horizonte. a natureza do homem foi sublimada e tornada imoral. o homem sem natureza é cosmético gélido, é morgue. o sentimento é branco como a noite, escuro como a luz.