Posted on September 30th, 2008 by pedrovski
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a seiva
cai ao longo do tronco,
lentamente
deixando um rasto de dor
transparente, vivo!
as folhas caem
dançando ao vento
de verde esquecido
ate tocarem o chão
levemente aconchegadas
umas sobre as outras
roçando o amarelo
deixando as marcas
as estações vão
a dor fica
o vento traz as nuvens
as nuvens soltam a chuva
e a chuva espevita o sol
e a dor fica…
as lágrimas da chuva
descem ao vento
mas a dor fica…
o sol traz novas folhas
bem verdes
a brisa envelhece
os nervos
as folhas dançam ao vento
em sinal de vida bem vivida
e a dor fica…

Posted on September 30th, 2008 by pedrovski
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e porque está longe? não posso tocar um mundo fora das minhas mãos e quando tudo parecia destinado tudo mudou… e como pode uma vida cheia de vontades padecer até nunca mais ver. como? queria esse esticar dos lábios, a ponta dos dedos nas saliências mais vermelhas a pedir algo para lá do erótico, algo comum entre todos os seres vivos uma ligação para lá do físico, uma verdadeira catarse espiritual nunca antes proferida, às tantas, jamais sentida. não esquecerei o toque a preencher os nervos do cabelo, a esticar e dobrar todas as pontas e a sentir divindade. este mundo é cinzento… como pode este sorriso encher-se de lágrimas? esta é a minha viagem anacoreta…

Posted on September 26th, 2008 by pedrovski
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sonego esta raiva contra a demência desumana da praxe? a insanidade é bela quando se apregoa em livre condição. a loucura é origem da criatividade, mas a demência de certa gente é a morte da vida. certa loucura é na verdade uma cópia de padrões conduzidos, meramente teatrais, retóricos de gente que pretende a aceitação colectiva.
sonego esta fúria contra a normalidade de tal anormalidade, do conluio destas tradições repressoras com o sistema? seu único objectivo é a aniquilação de mentes livres, de pensamentos desviados, de atitudes irreverentes. o enaltecer das hierarquias e práticas de obediência cega aos valores mais ridículos e morais assustadoramente retrógradas são no fundo a melhor forma de manter esta sociedade muda e submissa.

Posted on September 24th, 2008 by pedrovski
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se inspirarmos lentamente a um ritmo brando, de costas voltadas ao chão, nas nuvens desenham-se espelhos. dizer que estou farto de sentir é eufemismo confortável, ver-me ali descoberto, nu nos reflexos do céu, sem um único momento de verdade a não ser rasgos de passado onde coração bateu e bateu na superfície do peito por paixão intensa…
sentiste? foi por ti que tudo parou, é por ti que agora tudo não é tudo, é um momento, uma simples pintura de cores vivas e belas mas de conteúdo incompleto… mas alguma vez será tudo completo?
não era o vermelho do sol a pico, era o toque da tua pele, não era o tecido dos lábios, era o roçar nos meus, não era a forma dos olhos, era a doçura do olhar. estaria perdido em ti, perdido de ti se um dia, um belo dia estaria completo em ti…

Posted on September 22nd, 2008 by pedrovski
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escombros
desejo vivo
atitude inerte
segue-se as folhas
ao vento
fortes
de outono
a cair, a cair
caí, caí
e sigo um fim
determinei-me
aniquilei-me
adivinharam
um futuro precioso
de paixão fúnebre
um momento radioso
escondido
está longe
tudo está longe
tudo morre
tudo se perde
tudo será nada…

Posted on September 22nd, 2008 by pedrovski
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estes dedos, compridos, teclam para ti. tenho este poema, este pensamento doido, este desejo perdido. tenho tanto para dizer, tenho tanto para pensar. tenhas estas ideias, este desejo dum mundo diferente, tenho tudo para te mostrar. e estará alguém aí? o que sonho rasga-se por ti, e as memórias que deixaste, o tempo que perdi e agora tudo se desenrola de forma perfeita, tudo alinhado, confirmado, decidido. tudo se edifica, tudo se fortalece, tudo se endireita e eu sei o que tudo será. reina o previsível e vejo-te desaparecer no horizonte e desenho-te em sonhos. amor, este amor perde-se em linhas tortas, em sonhos tolos, em impossibilidades, em sentimentos perdidos. só te consigo escrever, so te vejo em poemas, em textos, nos sonos surreais, nos escombros dos meus pensamentos mais insanos. só te vejo na imoralidade de derrubar este sonho tão perfeito que desenhei e agora me enterrei. tenho uns olhos cheios de vida, mas não tenho vida para admirar. e eu pego estas letras e não estará aí ninguém…

Posted on September 20th, 2008 by pedrovski
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a luz
quente sobre o teu peito
aquece a superfície
mole
a luz que incendeia o teu peito
ilude-te em felicidade,
esse lugar que vives
está longe de milagres…
a dor
a dor de ausência do teu corpo
uma dor perturbante
forte, rasga o interior
passa por mim,
leve, como uma brisa de verão!
atei-me ao chão
para não sentir
e o medo de viver
perde-se num choro sem lágrimas…

Posted on September 13th, 2008 by pedrovski
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sinto a sombra das asas carregadas. esquecer amanhã, e tudo o que irá acontecer. não é isto que carreguei no pensamento. quero vida plástica, embrulhada, encolhida, segura! quero sentir-me só, só num canto sem dor.
não era isto que me estava destinado, seria como as flores que arrepiam-se ao vento sem pedir, imóveis na sua raiz de cabelos ao ar a pedir sempre um pouco um sol, um pouco de chuva. estaria de pés bem assentes na terra, cabeça lá no ar, bela, caótica, misteriosa, insegura. segurei o meu andar, envolvi os joelhos de musgo para sentir a humidade nos ossos, a minha testa… ela estava envolta dum lenço negro, cor da escuridão que aquece e incendeia o futuro… visões de chamas coloridas, corpo queimado, vida em rebelião constante, vivendo de paixão sem um único rasgo de amor…

Posted on September 4th, 2008 by pedrovski
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a ruptura enche-se em diálogos
palavras repetidas
sofrem sentimentos vários
sôfregos em poesia
perdida
mentiras,
oásis desta minha condição
tudo se perde
nos lábios
e tudo pára nas letras
libertadas!
quero,
quero,
vontades,
quero
festim de sentimentos
quero,
algo novo
algo que não se prenda
a conceitos
a viagens passadas
quero
tudo o que não tenho
quero viajar
fora desta condição
quero outra vida
quero perder-me
dentro de mim mesmo
quero, agora,
a solidão…

Posted on September 1st, 2008 by pedrovski
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é notável como emergimos adormecidos, feitos em laços de flor. é incrível como prendemos as mãos atrás das costas, a tentar em vão, chegar ao fim duma rua tão estreita quanto os ombros que pouco pouco esfola a pele, doce pele, inocente, viajante.
peço mundo, franzido, desvairado… peço que acordes na claridade do céu, longe dos tumultos existenciais produtivos, mecanizados, ultrapassados, vingativos de reis que pregam a sua escravidão onde pousam as suas pálpebras cansadas, pulsos esmagados e liberdades virgens.
