Posted on October 22nd, 2008 by pedrovski
Posted in textos soltos | 1 Comment »
foco-me na dor, sempre,
até não sentir
nem uma batida
de coração.
e tornei-me imortal
porque em nada arrisco
e nada risco
e tudo se esvai
tudo desaparece
o mundo é cinzento, escuro
duro
a dor, o resquício
desta existência vã
e de frívolo coração
roi-se em lágrimas
que nadam sobre
o corpo
a dor sorri,
venceu subitamente,
e instala-se como fungo
roendo a pele
abafando o sangue
a dor,
chama a morte
a dor visita o estático…
e ouço-a lenta
devagar sobre o corpo
a entrar nos poros
e ouço as suas palavras
e na sua voz
a podridão.
com esta máscara que
carrego, escondo
sempre o sítio
medonho
que vive em mim…
Posted on October 22nd, 2008 by pedrovski
Posted in textos soltos | No Comments »
se anjos tivessem mãos grandes… queria que na vida tudo transmutasse e se tornasse incerto, sem medo de consequências e sem perder o sentido da vida. enjaulado por visões e prisões. a juventude que me afastava dos sentimentos assalta-me hoje com as rotinas e as vidas acabadas. os olhos, que saudades duns olhos, e de um assalto à palavra, de um questionar de existência, de tudo que nos rodeia e das dores das grades…
caminho sempre devagar, e retiro as amarras uma após a outra, até o corpo nu… mas o processo é lento, vagaroso e em cada nó desamarrado solta-se uma dor profunda. agarro-me as sensações, estas sensações de ruptura mas vivo por felicidade absoluta, até chorar e esquecer todos os momentos que me asfixiam.
a minha sombra, escura, acabada, vinga-se subtilmente do meu andar. não deveria lutar pelo impossível? ou impossível seduz-me? esta ilusão, ilusões que me fazem caminhar em voltas, as incertezas, as chamas do sentimento! mata-me não seguir caminho mortal com medo da morte! mata-me as impossibilidades! estou farto deste pensar!!! e quero por tudo vingar a vida!

Posted on October 10th, 2008 by pedrovski
Posted in textos soltos | No Comments »
eis que em fundo de azul
se despe o malmequer
pétala após pétala,
até não soprar uma resposta…
frio quente
desse azul em chamas
ausente,
um sorriso chama
memória
está tudo cá dentro
eis que nada acontece
porque tudo está
perdido…
e tenho esta pequena arte
de escrever
tudo o que se esconde,
porque não posso clamar
na vida, este turbilhão,
porque não posso dizer
o quanto sinto,
e o quanto não sinto,
e nunca poderei dizer
o quanto desejo…
e tenho este lápis afiado
e este desejo que compreendas,
que me ouças
ai, nesse sítio tão longe
e tenho estes olhos
que brilham sem veres
tenho este sonho de tudo mudar,
aqui guardo tudo
o que não digo…

Posted on October 7th, 2008 by pedrovski
Posted in textos soltos | 2 Comments »
os mercados financeiros assustam-se, mas prendem-se a todo o custo os pés na areia, as ondas vêem uma após a outra… eles sabem que a onda que os derrubará chegará, mas enquanto não chega não chegam a pensar voltar fora de água para começar tudo do novo, e aí espera a esperança da morte do capitalismo. quando aquela onda chegar e tudo colapsar será da base que tudo virá e desta vez espera-se sem líderes, estados ou igrejas. o que hoje impera amanhã cai… é a podridão do próprio sistema a roer-se a si mesmo, a ganância a ver quem fica com as migalhas, na disputa ninguém renuncia o seu bilião então que se comam e esvaziem o bolso do povo e aí sairmos todos à rua e pediremos o fim! foi a ganância cega que fez crescer este mercado, este esvaziar da terra, estes ricos de merda, esta desconsideração para com um planeta que nos criou, a terra não tem mais espaço para este vazio (des)humano, por ironia não será seattle e os alter-globalização, as lutas na america do sul ou nos montanhas de chiapas a derrubar a ditadura do capital, será por último a própria ganância que o criou…

Posted on October 6th, 2008 by pedrovski
Posted in textos soltos | No Comments »
longe, a nascer nas unhas o passado. lá longe estou eu, estás tu. eu sopro o vento de memórias e e elas morrem ao longe, e quando tudo se sente, tudo morre, porque tudo está longe… e assim morre o amor… foste tu? ou foi fim? enrola-se no estômago uma sensação calma e fria. resignado o peito, os dedos choram a escrever e o dia desenrola-se para a noite e tudo o mundo parece ver tudo o que não quero… fui eu? ou foi o fim?
e se se desenha uma chama, e se se demonstra que tudo pode ser feliz, ficará sempre as cinzas dentro do corpo de todo o amor que ficou para trás… não pude dar tudo e tudo morreu no mar e no vento do sul… longe, longe este mundo que sonhei para mim…

Posted on October 6th, 2008 by pedrovski
Posted in textos soltos | No Comments »
a dormir sobre o sol
que morre ao horizonte.
lembro-me de ver para lá
da linha
entre o céu e o mar
e era um mundo
de milagres,
era criança
e o horizonte
era o desconhecido
há uma saciedade
por conquistar
porque neste coração
nasce e morre vida
alimentado pelo mar
o sol, a chuva,
e tudo orgânico
e tudo que respiramos
e para sempre
o desejo de algo diferente
algo fora do comum
deste mundo morto
o sol morre todos os dias
e o coração espera…
