Posted on January 25th, 2009 by pedrovski
Posted in textos soltos | No Comments »
apaguei o sono esta noite,
assim deixo-me berrar, mas só cai-me um murmúrio nos pés. a chama chama-me a arder os meus olhos até ficarem cegos e assim seguir sem direcção. e se eu engolir o berro ao estômago? continuarei livre de prisão social?
eu aguento a dor, vês tudo agora? eu sou parte de mim tal como tu no escuro vesgo. imagina apalpar as paredes e descobrir uma forma rugosa que pica a pele numa imensa dor de prazer. não quero que vivas esse momento a morrer dentro de ti. ata a pele ao corpo para teres a certeza que ela não se despe. mas no belo horizonte nasce um sonho que se esconde de ti e de todos, é sereno e são tantos pensamentos e sonhos, eles escapam-me para as mãos e eu escondo, eles socorrem-me na solidão.
diz-me tu que nasces aí onde o horizonte se torna ofusco, estás aí? escondi-me no meu próprio sapato e decidi querer seguir uma rota com a tua mão. desde que tás longe, eu decidi correr o rio sem o sapato e que poderei agora dizer? o sol peca no inverno e eu estou aqui a tentar descobrir onde estás? é a minha cegueira, diligente, delinquente, quero tocar os teus seios sem a permissão da pele.

Posted on January 24th, 2009 by pedrovski
Posted in textos soltos | No Comments »
minha onda afoga-se, majestosa. o silêncio roi-me as entranhas! está tudo tão parado e rude. nada me parece prometer uma vida incerta. os meus olhos demasiado abertos, a garganta demasiada sincera! posso deixar tudo aqui nesta nota num papel algo amarrotado, de manchas amarelas da chuva… posso deixar-te feliz um dia, com as minhas incertezas, e os meus jogos mentais, perícias filosóficas! é engraçado como ninguém, talvez tu também, não sabe porque e como suspiro, muito menos o que vejo e construo com estas mãos marcadas pelo tempo. e tudo o que posso é desejar o que não temo.
Posted on January 15th, 2009 by pedrovski
Posted in textos soltos | 2 Comments »
eu sou todos os dias,
tudo o que preciso, e ando sem botas neste chão frio. eu sou tudo, para ti um insecto a sair do coração. eu não sonho contigo, porque estou no meio da tua foto, e desenhei-me sem lábios.
queria liberdade no meio de teus braços, mas teus braços dobram-se para trás, não para a frente e abertos. a floresta está ali a descansar o meu ranger de dentes. queria tudo sem ti, tudo de mim. farei o que quero, porque não te quero prender às minhas asas. adeus meu sonho profano, árvore sem ramo! quero beijar a nuvem sem deixar o chão? de que servem as asas?

Posted on January 6th, 2009 by pedrovski
Posted in textos soltos | No Comments »
riso, sorriso!
sorriso, sorriso…
riso alto, feminino…
riso… palavras doces…
riso…
em ti, dentro de mim,
palavras, palavras
olhos fechados,
nariz toca nariz
respiração toca a boca
leve,
memórias,
livre de mim
longe de mim,
eu estou feliz a pensar
sou feliz a pensar
longe de mim
noutro tempo,
quando tudo tocava-me
e tudo parecia alinhado
harmónico uníssono,
agora estou aqui
à espera…
Posted on January 5th, 2009 by pedrovski
Posted in textos soltos | No Comments »
ri-me para não estar só. acendi uma ponta de fósforo e assim poder ver tudo, e ser tudo, não estar só, não quero estar só… mas não mudo a mente, não mudo esta mente! eu sou o veneno desta angústia, e engulo até o veneno ser parte de mim… grito, grito até encher esta luz! eu vou mentir hoje para amanhã não estar escuro, mas logo estarei longe… vou fingir que sou livre para assim sentir mais um dia. vou caminhar para outro sítio, rastejar a pedir mais uma vez a o beijo que deixei. eu vou ver-te até ficar cego, mas nunca vou mudar esta mente, não mudo nada desta minha mente!
queria lábios que deixei porque era mudo… vou deixar este veneno penetrar os pulmões, deixar-me sufocar até ao último minuto!

Posted on January 5th, 2009 by pedrovski
Posted in textos soltos | No Comments »
é retirar a pele, devagar… ela está em todo o sítio, e as vezes chego mesmo a falar sobre ela. não dá para contar, é arrepio, é permanente… e se és a única? a única que faz este nascer o dia. todo o passado carrega-me em ti, e se fores a única?
só posso ser o quanto sou, e irrita-me as corridas… e se és a única, não quero lutar, ganhas tu… quero apenas não saber bem o que quero… tudo diz que és o pouco de mim.
estou farto de pensar o mesmo, a mesma lenga-lenga, os pensamentos perdidos, a tentar perder-me em ti e atirar a vida ao fundo. tudo é cinzento, e deus irrompe-se sobre as nuvens e traz-me para cima e depois afunda-me novamente no mar até sufocar. maldito sejas aí no céu? talvez no inferno…
vês como o céu dobra-se? e inclina-se para o lado e assim faço o mesmo com o corpo até sentir a horizontalidade do chão! estou deitado, esticado… a observar nuvens que nunca vi antes, estas tão paradas à espera do presente. vês como o chão desdobra-se, rompe-se ao meio, e olha como me atiro lá ao fundo até não ter nada por viver? vês? será que tiro algo disto tudo? tu? tu podes passar por mim, podes cheirar o cinzento desta mente perdida e pensares que sou o único sem rumo, mas faz muito mais sentido viver na corda da morte. obrigado, ajudas-me a criar todas as incertezas sem as quais…