:: hop3 ::

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vermelho

Posted on March 30th, 2009 by pedrovski
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rompe-se este meu jardim, estava a buganvília bem vermelha em espanha. encheu-me o sôfrego pesar desta minha rebelião. faltavam as horas a inventar, assim decidi deixar o pensamento ruir sozinho. chegamos a um ponto em que deixamos as conversas de lado e simplesmente ocupamo-nos do nosso jardim.

não deixo de sentir, não deixo de morrer mais um dia por ti. já disse tantas vezes adeus, são formas de chamar a justiça à razão. atirei-me ao ar a ver qual dos meus lados ficava de pé… ficou o lado que esta bem longe. não faz mal… a superstição nunca me ditou nenhum futuro.



eu ainda tento…

Posted on March 26th, 2009 by pedrovski
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nestes tempos de obscuridade são os homens cativos de um ofício que escondem a fadiga mental. afinal a lucidez da obediências às regras jamais é consagrada como uma fraqueza.

assim somos apenas uma coisa, quiçá um negócio opulento na mestria das máscaras do defunto espírito.

os restos de braços e as pernas que nada servem senão para manter a postura ordinária. há quem ache que não precisamos mesmo de pensar senão para manter a roda da economia global. aliás não será a mão invisível a luz dos túneis de todos os desesperos? haverá quem trabalhe para nós, da mesma forma que trabalho para outrem, mas a questão não estará no engodo da partilha está na ilusão da abstracção dos conceitos. não haverá nada mais claro, como um verdadeiro dia de sol sobre um prado que uns carregam a opulência a avareza de outros, quase todos trabalham, outros usufruem do trabalho e muitos transpiram sangue. de qualquer maneira este jogo tem tendência a romper-se. todos os que sustentam o modelo estão imensamente cativos deste, e jamais pensarão na morte. mas a imprevisibilidade dos acontecimentos agarram o passado e estrangulam-no até à transformação.

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indignação

Posted on March 18th, 2009 by pedrovski
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leva,
por favor!

leva e foge!

tou tentado a…
não foi-me permitido,
foi prometido…

leva esta chama,
e atira ao mar mais longe!



zero

Posted on March 18th, 2009 by pedrovski
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acendi este fósforo
e assim finjo que não sou cego,
mudo o que sinto
e visto-me sem pele,
assim não sei o que é desejo
e vivo tudo
a fingir o que quero!

e vou manter esta chama
até queimar os olhos
e fico sem mudar de direcção
junto, ao rio, sigo
e esqueço todas as árvores
e esqueço a chuva!

e o veneno que encheu este quarto,
fica para me atormentar
a mentira fica para assim me lembrar,
que falhei,
falhei…



indago

Posted on March 18th, 2009 by pedrovski
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berrei meus pulmões em silêncio. quero escrever só para mim e deixo aqui um recado, tenho algo bem guardado, até de mim!

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barcelona

Posted on March 16th, 2009 by pedrovski
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não sabia que em barcelona também viviam ruas estreitas; viajar é como entrar dentro duma televisão e viver tudo sem que te vejam. agora estou de olhos doridos e com promessas supersticiosas que me dizem para esperar, esperar para ter uns olhos e umas mãos, esperar por sentir as origens das coisas, das cidades europeias, porque passo por elas dentro dos muros.
barcelona é mais uma cidade morta, no meio de muitas cidades, senti vivamente o cheiro pútrido de uma cidade que viveu demasiado.
apaixonei-me por aquele cadáver cheio de saliências e pormenores recônditos, porque no meio de tanto morto haverá aqueles ossos que chamam a atenção por estarem mais preservados e salientes, quase chegas a cheirar como era quando a cidade era viva. quase chego a sentir o cheiro das ruas, dos mercados e das pessoas sem noção de modas e de verdadeiros medos.

vivi demasiado lentamente o rápido estapafúrdio da experiência de turista sem guia. desejo viver barcelona e outras cidades mortas, para me lembrar o quanto me fascina a morte e o movimento sem harmonia.

no entanto, o que mais fascina na morte é que ela jamais voltará à vida, assim barcelona e quem sabe todas as cidades que se construiram sobre este mito que o homem é viajante ultra-rápido estará sempre bem preservada no meu cemitério.

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moda

Posted on March 15th, 2009 by pedrovski
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indago os meus segredos
a mesa de pequeno almoço;
servem-se frios!!

não posso escapar
da regra comum!?

e se odeio?
se rejeito a futilidade
se mato a frigidez,
as modas, os supermercados,
e as televisões,
então donde vêm?
e por onde entram?
e a quem pertencem?

e se o meu gosto é o desgosto
os cabelos arranjados
as unhas pintadas, as mentes feias,
as caras belas que cheiram
a cosmético podre, estrume!!

e aquele interior,
podre, podre,
a desenhar fungos, a gerar bactérias,
a paralisar o coração
a congelar a mente!!

é por tudo isso que não pensam?

haverá algo, verdadeiro?
algo mais por mim, por favor!!
serve-me algo mais para o meu sentimento!

são pensamentos, que nunca deixo de pensar,
são ideias que estão sem resposta,
muito menos estão refutadas…

a ciência da futilidade, nasce da morte
do coração…
é por isso, que ele não bate mais por ninguém sabes?
por ninguém… a não ser por
coisas, e coisas, e coisas, e coisas, e coisas, e coisas, e coisas, e coisas!!!

não quero…
merda.



ruas e quartos

Posted on March 15th, 2009 by pedrovski
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as ruas preferem paixão,
sinto-me injustiçado porque seguro a dor, e liberto-me noutros braços.

no pôr do sol o dia perde perante a noite, mas o desejo rompe-se e escapa-se da escuridão. há sempre esperança na lascívia do vento já frio.
encantei-me só com a tua face e a pele suave. soltam-se as amarras ao chão, o corpo está à mercê da dor da rejeição.
não quero sexo! a minha mente, instrui-se como meu deus, é a minha sagrada consciência. e porque sei tanto sobre tudo, e envolvo-me no desejo do conhecimento de tudo, e desejo tudo descobrir, tudo captar, tudo fixar, tudo discutir, tudo debater, tudo filosofar, tudo alcançar e por fim num impeto furioso desejo agir perante este presente caótico e amargo.
e como ajo? não quero pensar, quero sentir, desejo jamais ficar tanto em pensamento… não quero imaginar esses teus braços que não desejo, quero sentir-te o pulso, e o coração em labaredas.

disseste: o teu coração bate tanto, e eu disse, não bate… tu disseste nunca vi um coração a bater tanto. e eu disse: não! está mais que controlado!

ouço ainda o som, e o corpo a latejar. tão forte o latejar e disse que não latejava e disse que não eras tu.
nada foi por ti, nada foi para ti… foi a própria natureza que criou esta loucura sem fim. derrama-me só o sangue porque não terás nunca ninguém assim!

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bipolar

Posted on March 4th, 2009 by pedrovski
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um dia quis sair de mim. ultrapassar-me, vingar-me da apreensão, da ansiedade, do desprezo da vida pela verdade. julgas que o mundo é belo e o homem o corrompe? o homem é parte da equação e faz do mundo chamas porque o mundo fez o homem em chamas… o podre da vida vem da origem das coisas, custa aceitar que algo tão poderoso e de nuances com aparência humilde seja tão caótico nas decisões e na construção das coisas.
quis ultrapassar-me, porque, embora deseje a carne, o prazer do toque e a loucura da paixão amorosa algo me diz que podíamos tocar algo de outra forma. a mulher descansa no meu colo e jamais saberá o poder das minhas mãos. é só pele entre os ossos e músculo belo ao olhar, que dobra-se majestosamente e cria ondas de prazer momentâneo.
as leis do homem fazem desejar a inconsciência dos actos. o homem transpira a quebrar as regras meticulosamente montadas de forma a manter o controlo social. com tantas ideias insanas, numa mistura de justiça cheia de injustiça, claro que as nossas cabeças não saberão mais funcionar senão como uma parede de tijolos ou como uma arma explosiva que rompe os sexos.
não foram as mulheres a construir o modelo social, o modelo social imposto pela natureza e sua ingenuidade perante a igualdade fez do homem um monstro de duas cabeças em que uma derrete o coração, outra faz do coração chumbo…

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