:: hop3 ::

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a morgue

Posted on July 28th, 2009 by pedrovski
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nos seus olhos, nasciam sonhos achados. o tempo tortura as viagens, tudo muda, tudo torna-se sentimento ou indiferença. foste embora do corpo encontrei-te longe do coração… tudo deixou de ser e esqueço-me! desculpa…

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II

Posted on July 19th, 2009 by pedrovski
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outrora respeitei a aurora! agora só existem sentimentos inacabados. alcachofras frouxas e melaço nas vias respiratórias… deixa-me respirar, quero respirar. existem espelhos de roupa no meu quarto, e indicam silêncio. ligo o telefone para espreitar a cozinha… ela está a comer-se! agora sofro em vão, de escadas sem fim… meti uma moeda e encaixotei os meus braços… não posso sair daqui estou imóvel ninguém liga a minha tomada, está húmida de pomada para os ossos. estou rijo e imóvel, à minha volta há coelhos a trincarem a arrumação… está tudo a virar um caos incomportável!
queria abrir a porta do meu quarto mas esqueci-me que já não tenho mais braços. irritas-me nessa insensibilidade, nesse respirar pela metade. irritas-me quando apanhas sol e ficas cega e burra como uma escada pisada. és tão idiota que esqueceste que tens ideias, e que sofrerás sem nada. quando se é nada resta o tudo sem conteúdo, quando se come frango caga-se lombo…
sangro, sangro, sangro o silêncio em silêncio e esta beleza preta que resta dos meus pulmões servem para matar as tuas lebres. rasga-se a garganta com tanto berro sem sortido, tou sem voz e o teu cérebro é agora um miolo de noz seca.
ah foi a noz moscada que ficou presa ao meu ranho, preciso de drogas para enlouquecer as ideias ou perspectivar futuros sem horizontes! tou demasiado sóbrio, vai cagar tás senil!



I

Posted on July 19th, 2009 by pedrovski
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está tudo uma grande confusão, desarrumado!
e achas que mereces um pouco desta emoção? mereces toda esta dor? e achas que tens fome?

a tua pele respirava ócio, eu inalei mentira subitamente pelas narinas. liguei-te para o quarto e estavas ausente. é o orgulho agora que me pica, não o sentimento.

achas que estou confuso?
sou um homem pintado e elaborado num quarto, sou mobília do teu quarto, então não ligues ao disco riscado e deixa de ouvir. tenho transgénicos na tola… sabes porquê? porque quem não amo, não é meu amo.

a evolução da escrita acompanha retratos dilacerados, desconstruí quem sou para enlouquecer? deixas-me enlouquecer amiga?

no outro dia disseram-me que havia a sociedade do consumo e então nós consumimo-nos uns aos outros! deixaste os restos para o jantar de verão antes da partida?
não estarei cá para tua refeição, estarei digamos noutra ponte a suicidar-me noutro sítio já que, parece que não abunda gente por estas ruas.

o meu berro em revolta está quieto, é subtil, armado de gentileza, mas cá dentro o berro enche-me as veias!
hoje odeio-te!

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a flor do (des)encanto

Posted on July 16th, 2009 by pedrovski
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na flor do consumo enche-se o sangue derramado num desejo do não vazio.
estou farto e quero fugir bem longe onde o sol não pousa no medo. quero abrir o meu livro a alguém e ler tudo o que tenho cá dentro. o primeiro que aparecer na estrada. tudo o que aprendi é esconder o desconforto e a vulnerabilidade e tudo o que re-aprendi é abrir-me como uma flor. a sinceridade da abertura trás o medo do oprimido. coisas, coisas, pessoas, drogas, festas, amizades, sexo, paixões tudo serve de xanax da mente na super-elevação dos superegos.
o mundo é nosso, ou teu? esconde o teu eu, derrama lixívia sobre a alma e derrete o veneno da revolta interior, mata os ratos que roem a casa que a bendita sociedade construiu. não vão todos os preceitos demolir-se dum dia para o outro… o mundo é vendível, tudo é vendível até os sentimentos, então chora essa perda e arma mais um esquema para usufruíres do lucro do trabalho.
então se não tenho nada a dizer para ti, não tenho nada para ti, meu mundo de escravos felizes, resigno-me à viagem, quem sabe eremita, fugir bem longe onde se não encontrar alguém para partilhar este meu mundo partilho comigo próprio…



a manhã ensolarada

Posted on July 10th, 2009 by pedrovski
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decidi seguir de manhã cedo desgovernado. as cores na rua estavam desbotadas, frias. eu conseguia ver o azul do céu entre as pestanas… estava tudo tão claro que quase nada via.
sentia deus a cair sobre mim com todo o peso da realidade. eu vejo o mundo já cego porque tanto ilumina-me na frente dos olhos e ofusca tudo o que poderia ver realmente. há tantos pássaros longe de tudo isto a ver a terra e a rir-se do vento. a mim o vento tira-me a vontade.

consegues ver-me agora debaixo de todas essas máscaras que agarraste e prendeste ao pescoço com medo da vida. nessa jaula que te enfiaram deixaste crescer as unhas só para sentires que passaste um pouco mais além das grades.

era sonho, esta manhã deixei-me dormir porque todas as promessas e os tudo e nadas que deixei sorrirem por mim foram embora. tornei-me rei das minhas chamas e assim queimo-me na abstracção duma solidão exasperada. falo o meu nome, e procuro meu perdão. se devolver o pecado retribuo uma dor maior que o peito e escondo-me do nada que respirei nos últimos tempos.



tudo virou…

Posted on July 7th, 2009 by pedrovski
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esta árvore tem hoje mais ramos que folhas, mais folhas que flores, mais flores que desejos.

a corrente de metal favorece a corrente do mar… estou preso e partido. estou em pedaços de sentimentos deixados ao acaso. estou sóbrio demais e sempre a tentar encontrar um sítio lá atrás e sempre a lembrar, a lembrar.
as folhas mortas valem mais que um tu vivo então viro-me para alguém que perdi. e estou sempre a lembrar.
a memória amarram-me numa corda mais forte que os meus braços, e inspiro a verdadeira solidão que é esta vida. gostava de estar um só contigo que tenho nas veias. estou demasiado feliz para buscar-te ao céu, demasiado infeliz por todas as derrotas.
preencho os espaços vazios com um ela perto do corpo distante da mente. e preencho todos os espaços vazios à procura de mais e mais. venha tudo a este vazio e como deverei eu preencher todos os últimos espaços? e como completo esta solidão?
e vejo-te então no meu funeral branco. e vejo a minha morte a brilhar nos céus.

o amar acalma esta morte linda porque todos virão a este funeral! ninguém salva mais esta alma! tudo virou tentação…



bancos alimentares alimentam fomes

Posted on July 3rd, 2009 by pedrovski
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não encontrei sítio para dormir porque tenho demasiada fome.



mais perto

Posted on July 3rd, 2009 by pedrovski
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decidi desistir
ao som dum vento invejoso!

deus dê-me asas porque anseio os restos do meu voo. deus que morra já hoje para mim, porque hoje quero sonhar por mim, só para mim!