a flor do (des)encanto
Posted on July 16th, 2009 by pedrovskiPosted in textos soltos | No Comments »
na flor do consumo enche-se o sangue derramado num desejo do não vazio.
estou farto e quero fugir bem longe onde o sol não pousa no medo. quero abrir o meu livro a alguém e ler tudo o que tenho cá dentro. o primeiro que aparecer na estrada. tudo o que aprendi é esconder o desconforto e a vulnerabilidade e tudo o que re-aprendi é abrir-me como uma flor. a sinceridade da abertura trás o medo do oprimido. coisas, coisas, pessoas, drogas, festas, amizades, sexo, paixões tudo serve de xanax da mente na super-elevação dos superegos.
o mundo é nosso, ou teu? esconde o teu eu, derrama lixívia sobre a alma e derrete o veneno da revolta interior, mata os ratos que roem a casa que a bendita sociedade construiu. não vão todos os preceitos demolir-se dum dia para o outro… o mundo é vendível, tudo é vendível até os sentimentos, então chora essa perda e arma mais um esquema para usufruíres do lucro do trabalho.
então se não tenho nada a dizer para ti, não tenho nada para ti, meu mundo de escravos felizes, resigno-me à viagem, quem sabe eremita, fugir bem longe onde se não encontrar alguém para partilhar este meu mundo partilho comigo próprio…