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excerto 1 – “planalto da oriva”

Posted on August 12th, 2009 by pedrovski
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“…eu olhava as cores da noite… o amarelo dos candeeiros respiravam ainda mais calor. o céu estava sem nuvens e quase sem estrelas! havia um planeta visível, tinha prometido que ia saber mais sobre a posição dos planetas… mas está a demorar.
na ida para casa, e com algum peso do álcool em cima, senti a solidão das ruas como a minha própria solidão.
não havia disputa a travar no meu coração, tudo estava a se compor para um solo fortuito em que a vida sorri mesmo na falta daquele aperto de alegria. como senti aquele caminho para casa, enquanto nenad passeava feliz por poder voltar a casa e aproveitava os últimos momentos, e a ausência de carros, para correr sem barreiras.
que silêncio pensei, preciso deste silêncio, quero compor agora o meu futuro, a partir de hoje há outro rumo, outra história a percorrer. gostava de viver mais o presente desta vez. começarei do zero?”

excerto do livro “planalto da oriva” em construção durante os próximos anos.



a 1

Posted on August 11th, 2009 by pedrovski
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respira-se ventos suaves
longe dos meus lábios,
sinto a brisa no corpo
de desejos sem fim,
e saudades vagabundas.

nesta floresta do pesadelo
de não ter-te nunca perto,
desejei rotas mil,
aspirei à solidão no meu quarto,
ou então,
um vestígio de liberdade
nos recantos da natureza.

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1 ano

Posted on August 11th, 2009 by pedrovski
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esqueceste tudo o que pedi? tu?
para uma sintonia sintoniza-se e sai uma sinfonia. sinos dobram-se perante o desejo, o som fica nos ouvidos para sempre. para uma harmonia basta um impulso, basta um sinal, basta um ouvir de bater asas.
que vazio sinto. que amargura, que desalento. onde estás tu? porque não quero esquecer? e esqueço-me tão facilmente. não estás cá, e estarás bem longe da alma.
que pena ter conhecido um tu cadáver, e porque tentei encontrar vida no osso? gostava de perceber esta fascinação que tenho pelo renascer. de trazer mortos das cinzas. é um ímpeto religioso?

quero bater asas até arderem! eu levo socos e porrada até ficar cego, cego. eu não mudo direcções e não mudo a minha luta até morrer.
ora, agora que renasço, pergunto-me, de que serve? de que serviu?
que diferença fará agora? que diferença fez?

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pensamentos soltos

Posted on August 9th, 2009 by pedrovski
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se mais é menos, como é que continuo a viver? se calhar menos para ver, mais para conhecer, senão chega a loucura e leva-nos bem longe.

se encontrei um fim parei de viver? ou comecei a viver outro capítulo e deixei de estar preso ao poço já sem água? e devo abandonar os poços? haverá tanto poço para tanta gente?
haverá mais água no poço e nós não vemos, ficamos cegos com a conquista do novo.

se a liberdade está no desapego, o amor também? o amor e liberdade são faces da mesma moeda. o amor a dois, está no desapego que aconchega o corpo eternamente. a liberdade não fica somente no desapego, porque ficamos sem o apego e crescemos para outro apego. não está na quantidade de desapegos a liberdade, mas a forma como respeitamos o que amamos.



o desapego apega-se

Posted on August 9th, 2009 by pedrovski
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não tenhas medo,
tudo é um mistério para mim,
para ti,
e pensar que precisas de mais,
não terás mais…

espero que não te sintas só,
sem mim,
espero que não desapareças,
sem mim,

preciso por vezes
de encontrar um sítio
sem espaço,
que seja obrigado a ouvir
sem solidão…



real

Posted on August 9th, 2009 by pedrovski
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tudo o que conheci de ti, desvaneceu no espírito. as amostras que deixaste ludibriaram todos os meus sentidos. quando senti-me livre de ti pedi para te conhecer novamente e então riste de mim e viveste tudo sem mim.



simples

Posted on August 9th, 2009 by pedrovski
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gostava mesmo de não me preocupar em voltar.
sem tecto, não preciso paredes. o coração precisa saltar sem se agarrar e tudo teria razão no momento. enquanto fujo tenho desejo de desaparecer.
comecei por um rio que desenhei na mesa… seguiria o rio até a nascente e daí montava um abrigo da mente. não precisava nada exagerado, só um sítio para pernoitar sem raiva do gelo. seria o início de tudo o que queria construir. tudo novo, sem derrotas.
tanto é o desejo de conhecer que tudo doi-me no peito, tanto é o desejo de partilhar de ver tudo diferente, que perco-me nos pormenores, nas saliências das rochas nos lábios que desejo. vou caminhar e caminhar e encontrar a minha direcção no desconhecido. gostava de aprender a amar sem mitos, sem coincidências, sem espiritualidade barata. gostava de tudo mais difuso e real ao mesmo tempo. uma espiritualidade sem dogmas, raciocínios baratos, ou desejos do tudo sem nada. sem astros da astrologia, apenas astros num céu descoberto e infinito.
quando estou só, desejo o medo, respiro a liberdade e serei sempre melhor que antes. perdido no nada sinto que caio para mim próprio então desejo cair silenciosamente e na dor.



perdão

Posted on August 4th, 2009 by pedrovski
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ouço-lhe as palavras… sinto uma certa demência. dentro da minha cabeça, tudo virou um caos incerto, o que sonhei morreu à frente do coração. solidão na mente. ouço-a vazia, num quarto amplo, em que as vozes fazem eco. estará alguém aí?
o meu mundo cresce, lá fora tudo virou tempestade. querem tudo, e os desejos fizeram do homem carne, da vida a morte. o ritmo alucinante deixou-me sem mãos para agarrar. deixo-me morrer na solidão porque assim trago comigo o meu próprio perdão.