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ilações eleições

Posted on October 4th, 2009 by pedrovski
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enquanto o escrutínio eleitoral tornou-se o centro da atenção mediática e da conversa política uma série de questões assombram-me;
a decisão de, se devemos ou não participar, votar, neste circo eleitoral será sempre controversa acreditemos ou não neste modus operandi da democracia representativa onde delegamos as escolhas e fechamos os olhos e muitas vezes o bom senso.
embora consiga estabelecer diferenças mínimas entre a esquerda e a direita nomeadamente no que toca a questões em que o poder económico não terá interesse em manipular decisões, como os direitos dos homossexuais ou a questão do aborto, e embora esses assuntos merecem-me a maior atenção não deixaria de salivar de raiva pelo facto que todas as outras questões abordadas já estão mais que decididas e não serão decididas pelo eleitor, tornam-se mera retórica e conversa de café entre os políticos. Esse é o peso de vivermos, no presente a ditadura do capital disfarçada de democracia. e quem está nos assentos parlamentares e vive a plena consciência desses factos continua a usar a máscara para conseguir mais, um ou dois, assentos na cadeirinha do parlamento e no fundo aparecer na ribalta a tecer mais um ou outro comentário de ataque quando, no fundo, todos estão no mesmo barco e vislumbram-se os narizes de pinóquio se estivermos mais atentos.
É incrível como, a crise económica, passou a ser o centro do debate mas da forma mais incrível. porque nenhum dos intervenientes políticos sequer debateu minimamente a questão ao fundo, nem aqueles que jamais ganharão as eleições num futuro próximo. o antídoto para a doença dum sistema caducado será injectar mais confiança nesse sistema. julgo que não houve ninguém que negasse que o que era preciso mais incentivo económico para as empresas, mais confiança para quem sempre nos roubou.
e porque ninguém questiona realmente a origem deste abalo?
e a crise do petróleo passa ao lado de toda agente? e o facto de estarmos inseridos numa economia global que nos torna prisioneiros do poder? e a questão do aquecimento global que se torna cada vez mais irreversível? e questionar o aval ao consumo? o estarmos a esgotar os recursos para manter horários de trabalho cada vez mais preenchidos e ciclo diabólico da produção, consumo, produção consumo?
não estaríamos ao longo do tempo num caminho de evolução em que deixaríamos de trabalhar tanto porque seriamos substituídos por sistemas mais eficientes? e a evolução tecnológica não traria essa eficiência e estaríamos todos mais libertos do trabalho? no entanto, aumentam as horas e diminuem os direitos para assim manterem a confiança toda nas empresas que trazem todo o investimento… não será que no fundo nos engolem e deixam-nos só os restos?
para onde está a ir os dividendos da evolução científica? de que serve tanto conhecimento quando apenas serve os interesses de quem se mantém no poder? qual será o dia que essas questões estarão no debate mediático?
e porque não passam as soluções por criar independência do sistema económico que está a ruir? como, apostar em soluções de economia local e/ou solidária? e implementar soluções independentes do petróleo como agricultura local, hortas comunitárias locais, comunidades locais auto-sustentáveis? e transportes colectivos em vez de carros dependentes dum petróleo controlado pelas guerras e poderio empresarial? e criar a verdadeira soberania alimentar?
tudo isto está a acontecer fora da esfera político-partidária e das televisões! cada vez mais se criam comunidades, eco-aldeias, hortas comunitárias em todo o mundo, mas no debate mediático tudo caminha naquela rua tão estreita, tão estreita que só uma recta vive ali.
e será que nenhum candidato irá questionar o facto de as televisões pertencerem todas a grandes empresas? burrice ou conluio? haverá alguma verdade em deixar ser o tubarão a mostrar a escapatória à presa?
já seria difícil votar em alguém para decidir sobre a nossa comunidade, mais será ainda em todas estas circunstâncias… não votarei…



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