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caixote de antenas

Posted on January 31st, 2010 by pedrovski
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cordeiro do senhor, fui desempenhando o seu papel sem fome, queria um dia ser como deus. matei-me no dia seguinte perante a televisão… dentro, nada vai mudar o mundo, apaga-me do mundo.



mandanovo

Posted on January 29th, 2010 by pedrovski
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a mente está clara, o vento chamou outro dia. o tempo ditou que a guerra terminasse e agora estou num mistério em que todo o futuro está interdito, escuro mas desejado, sensual.
as certezas formam-se num bolo maior que as minhas mãos, desejo a inocência infantil de nunca ter tocado na subtileza dos sentimentos e da vida. tudo no passado agora parece-me iluminado e me traz uma segurança impermeável, mas a virgindade da vida é tão doce…

deixa-me que quero que tudo voe e comece de novo e que venha de novo uma dor, um prazer, um encontro diferente, uma vida sem o pano do palco. deixa tudo começar de novo, deixa vir esta nova vida que me envenene, me acorde, me atire ao chão e me leve ao céu!
gostava deste vez de levantar o véu e descobrir e descobrir e descobrir…
lá fora vivem numa avareza sem fim, não preciso disso para ser livre, descobre-se com o tempo que os sonhos são mais reais que as ordens do mundo, e descobre-se com o tempo que todas as certezas derrubam-se com um bater de palmas… não te zangues comigo vizinho meu, mas sigo agora sem ti…



porto o lado iluminado

Posted on January 25th, 2010 by pedrovski
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quando se chega o comboio atravessamos a ponte e sente-se a cidade com as suas casinhas pequenas coloridas e o rio majestoso a apanhar um pouco de sol na sua cor azul e verde. a ribeira do porto, quase se vislumbra como nasceu.
a passear à beira rio, os barquinhos de pescadores faz-nos lembrar que há algo mais que uma sociedade tecnocrata de prédios e gente executiva. o porto não é uma cidade típica europeia. mistura-se um pouco com a sua antiguidade e as pessoas parece que estão com um pé atrás e outro à frente no tempo. embora conservadores, reaccionários, há algo verdadeiro nas suas faces enrugadas. os velhinhos indiferentes ao mundo, muitos velhinhos simpáticos, sorridentes.
o fado canta-se por vezes sem a cabeça levantada e não é um desfile histórico mas sim uma vivência do dia-a-dia e um sentimento para muita gente.



o lado negro do porto

Posted on January 24th, 2010 by pedrovski
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vi uma janela no céu feita tijolos vermelho aos quadradinhos. este, lugar tão desejado sítio onde vivo, sinto bem a falta da luz a entrar e a iluminar as ruas e as árvores! desapareceste de mim, meu sol, e aqui fico transeunte frio, sem vontade de viver ou acumular objectos. caminho quase imune enquanto gentes coleccionam avareza e egoísmo neste buraco do universo.
o vento abraça as minhas mãos a pedir calor, tremo, as mãos estão mais geladas que o frio da rua. eu construí um cubo de gelo dentro do corpo que quase não sinto.
o que mais doía, agora é uma prisão, era a indiferença nas ruas, nos cafés, nos bares, nas escolas. vivo esta cidade morta nos seus últimos dias de perdão pela putrefacção.
um coração que deixa de amar, torna-se extinto, perde-se nas sarjetas das ruas, deixa-se comer pelo silêncio duma cidade esquecida perdida pela noite. nada!! só sente aqui o silêncio!! agora, vejo ratazanas a almoçar as ultimas rodelas de queijo apodrecido, se olhares bem para os lados, nas esquinas, nas paredes gastas, vês bem o preto do fumo das carcaças ambulantes que chamam carros.
apercebe-mo-nos aqui, neste sítio, de longe perdido, que não há espaço para correr livremente porque as ruas estão cobertas de medo, fumo e pessoas de face sinuosa e distorcida. tudo se torna uma maquina, os corações, os desejos, os sentimentos… somos automóveis, temos gasolina a percorrer lentamente pelas artérias!! desiste, mais vale, enfiar por outra rua deixando atrás o cheiro a borracha de pneus…



suspende o riso

Posted on January 19th, 2010 by pedrovski
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chama a noite calma
eu chamo minha

não sei de que gosto
eu sei que gosto do meu lado escuro

chamam a lua
eu chamo minha

toquei-te nas palavras
e estavas na minha cabeça
empurrada contra uma árvore
eu gosto de mim

gosto dos meus lados
não sei do que gosto mais

escrevi uma nota
e deixei de respirar
para matar o suspiro

a minha casa está fora
a lua está próxima!



copo e nada

Posted on January 17th, 2010 by pedrovski
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diz-se que copenhaga foi um fracasso. mas alguém esperava que alguma decisão fosse no sentido de: agora vamos esquecer um pouco o nosso dinheiro e prestar atenção aos problemas. Copenhaga foi um sucesso porque os líderes mundiais nao arranjaram mais um quioto para tapar as bocas e os ouvidos.
copenhaga foi mais um aviso a quem se esqueceu ou está distraído que uma decisão que envolve tod@s não pode ser decidido por meia dúzia, ainda por cima avarentos.



roda

Posted on January 17th, 2010 by pedrovski
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não quero ser um fio, não passo corrente, não quero passar corrente. sou uma pessoa, um ser humano, animado, gentil, duro, incoerente. quero partilhar partes de mim, ser ouvido realmente e poder receber o mundo do outro lado.
a sociedade fragmentou-se e cada um busca um pouco de cada um, e com cada bocado formam um bolo cheio e confortável de ilusões. no tudo veste-se o nada, nas desgraças assumimos a tristeza e esquecemos no dia seguinte, as alegrias pululam por segundos no outro já estou a consumar tarefas para manter a roda viva!
quero viajar dentro de mim, preciso de mim, dentro de mim. gostava por fim explicar que não darei atenção a quem os ouvidos tapou.



onde não há ganância

Posted on January 11th, 2010 by pedrovski
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venho dos céus bem lá em cima. tenho um ouvido maior que a cabeça e um toque que toca para lá da pele. tu, que estás nesse lado terrestre, traz-me para baixo para te amar.
no outro dia visitei-te no meu quarto e parecias ter um anjo para mim. agarrei-te nos céus e deixei-me pernoitar na forma do teu corpo. lá deixei-me ficar preso em amarras de ouro e amei-te todos os dias até hoje.
a semente que plantamos, cresce sem água e sem solo. haverá algo mais forte que o tempo e amargura. na fome sobrevive-se com esperança.
deitaste-me abaixo e a planta ficou sempre no ar. deserto, ou chuva, neve ou tempestade, nada mata a casa que construímos para nós. agora seria tempo de viver, tempo de morrer e tudo virar pó ou virar amor noutra esquina, noutra cidade, noutra aldeia.
há um sítio onde não sinto o amor e onde os desejos amontam-se para virar sementes noutra terra. dobrei-me para ti, por mim. estiquei-me, matei-me e desapareci, por ti, para mim. e eu esqueci-me de ti, ouvi tudo de ti, perdi-me de ti.



mim para mim

Posted on January 5th, 2010 by pedrovski
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nas lembranças berram
presságios de loucura
agora paixão viaja efémera
no espelho desenham-se rugas
do tempo.

só vejo rios, mar,
pássaros e chuva…

desespero numa solidão
duma multidão sem sangue

não tenho ninguém
consegues ver-me agora?
eu sou quem era? um pouco
diferente, um pouco perdido
um pouco distante.



sem título

Posted on January 1st, 2010 by pedrovski
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ela está a viver
de outra maneira
tudo o que odeio
está a acontecer

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ver a rodar

Posted on January 1st, 2010 by pedrovski
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ela estava a cair da ponte, o braço ainda parecia estar a segurar o ultimo ferro. o semblante mágico que toquei pareceu quase sorrir num instante a caminho do desespero do fim. enquanto caias  lembrei-me que escrevinhaste uma nota declarando que ainda gostavas de mim e que eu não sabia.
olhava-te na queda, naquele momento quase eterno, e observava como mesmo em desespero não deixas nem uma marca imperfeita.



atenção

Posted on January 1st, 2010 by pedrovski
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aqui fora está difícil respirar, lentamente o ar deixa de sair, mesmo assim mantenho-me à alerta. não vá o meu corpo deitar-se morto dum jeito pouco apelativo.