onde não há ganância
Posted on January 11th, 2010 by pedrovskiPosted in textos soltos | No Comments »
venho dos céus bem lá em cima. tenho um ouvido maior que a cabeça e um toque que toca para lá da pele. tu, que estás nesse lado terrestre, traz-me para baixo para te amar.
no outro dia visitei-te no meu quarto e parecias ter um anjo para mim. agarrei-te nos céus e deixei-me pernoitar na forma do teu corpo. lá deixei-me ficar preso em amarras de ouro e amei-te todos os dias até hoje.
a semente que plantamos, cresce sem água e sem solo. haverá algo mais forte que o tempo e amargura. na fome sobrevive-se com esperança.
deitaste-me abaixo e a planta ficou sempre no ar. deserto, ou chuva, neve ou tempestade, nada mata a casa que construímos para nós. agora seria tempo de viver, tempo de morrer e tudo virar pó ou virar amor noutra esquina, noutra cidade, noutra aldeia.
há um sítio onde não sinto o amor e onde os desejos amontam-se para virar sementes noutra terra. dobrei-me para ti, por mim. estiquei-me, matei-me e desapareci, por ti, para mim. e eu esqueci-me de ti, ouvi tudo de ti, perdi-me de ti.