o lado negro do porto
Posted on January 24th, 2010 by pedrovskiPosted in textos soltos | No Comments »
vi uma janela no céu feita tijolos vermelho aos quadradinhos. este, lugar tão desejado sítio onde vivo, sinto bem a falta da luz a entrar e a iluminar as ruas e as árvores! desapareceste de mim, meu sol, e aqui fico transeunte frio, sem vontade de viver ou acumular objectos. caminho quase imune enquanto gentes coleccionam avareza e egoísmo neste buraco do universo.
o vento abraça as minhas mãos a pedir calor, tremo, as mãos estão mais geladas que o frio da rua. eu construí um cubo de gelo dentro do corpo que quase não sinto.
o que mais doía, agora é uma prisão, era a indiferença nas ruas, nos cafés, nos bares, nas escolas. vivo esta cidade morta nos seus últimos dias de perdão pela putrefacção.
um coração que deixa de amar, torna-se extinto, perde-se nas sarjetas das ruas, deixa-se comer pelo silêncio duma cidade esquecida perdida pela noite. nada!! só sente aqui o silêncio!! agora, vejo ratazanas a almoçar as ultimas rodelas de queijo apodrecido, se olhares bem para os lados, nas esquinas, nas paredes gastas, vês bem o preto do fumo das carcaças ambulantes que chamam carros.
apercebe-mo-nos aqui, neste sítio, de longe perdido, que não há espaço para correr livremente porque as ruas estão cobertas de medo, fumo e pessoas de face sinuosa e distorcida. tudo se torna uma maquina, os corações, os desejos, os sentimentos… somos automóveis, temos gasolina a percorrer lentamente pelas artérias!! desiste, mais vale, enfiar por outra rua deixando atrás o cheiro a borracha de pneus…