finjo fugir da revolta das ruas
duma impaciência sem sapiência
rastos coloridos da rebelião
ouve-me, que restará do teu berço?
enquanto uns fingem cansados
outros dão tiros nos pés
gentes mandam homens ao mar
e o oceano enche-se de corpos
navegantes descalços
não vão ao fundo sem sapatos!
da política ao ladrão
ninguém sabe onde está a mão
alimenta-te do veneno
comem-te os dedos
arrancam-te os braços
cortam-te a garganta!
finjo indiferença
nada me parte este coração
quero estar longe
quando o oceano secar
agarrado à vida
quero subir esta árvore
e contigo comer o fruto
antes que apodreça!